Petróleo e clima influenciam cotações em Chicago
Cada vez mais influenciados pelo mercado energético, os grãos tiveram ontem um dia de baixa seguindo a desvalorização do petróleo - cujo contrato futuro encerrou o pregão a valores 1,12% abaixo dos praticados na sexta-feira. O clima favorável à colheita nos Estados Unidos e o retorno das chuvas no Brasil também se refletiram nas cotações. O movimento contrário ocorreu no trigo - sob a ameaça de uma retenção do cereal na Rússia, terceiro maior exportador.
A Bolsa de Chicago (CBOT) operou em baixa de 1,56% para o milho (dezembro) e de 0,8% para a soja. Os papéis do milho encerraram o pregão a 364,50 centavos de dólar por bushel e os da oleaginosa a 993,75 centavos de dólar por bushel. Para o trigo a valorização foi de 1,9% no contrato com vencimento em março, avaliado a 891,50 centavos de dólar por bushel.
Foi o terceiro pregão consecutivo com patamares mais elevados para o trigo. "O cenário fundamental é de alta", diz Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. Isso porque há redução nos estoques mundiais. No entanto, nas últimas semanas o cereal vinha registrando quedas por realizações de lucro. Os boatos de que a Rússia estaria elevando as tarifas de exportações é que teriam revertido este movimento. A taxa, que hoje é de 10%, pode chegar a 50%. "Diante de um cenário de escassez mundial, a Rússia quer reter o produto no mercado interno como desculpa para conter a inflação".
"Praticamente todas as commodities baixaram ontem. Em parte devido à queda do petróleo, mas também ao pico de colheita nos Estados Unidos e à previsão de chuvas no Brasil", diz Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) a colheita de milho chegou a 60%, ante 53% na semana passada. De acordo com Fábio Turquino Barros, da AgraFNP, o mercado refletiu um número já esperado. Ele acrescenta também a melhora da cotação do dólar em relação a outras moedas internacionais, que diminuiu o apetite de compra de grãos dos EUA.