Produção do oeste é afetada pela estiagem

25/10/2007

Produção do oeste é afetada pela estiagem

Na região oeste do Estado, onde em algumas localidades na última temporada de chuvas o índice pluviométrico foi inferior a 50% da média dos últimos 10 anos, as perdas na agricultura variaram de 70% a 100% nos 13 municípios que decretaram situação de emergência e tiveram o pedido homologado pela Defesa Civil do Estado.

Com o território dividido entre a área de cerrado (com altitude que varia entre 700 a 800 m) e de vale (com altitude que varia entre 420 a 450 m), a região tem diferenciação no índice de chuvas. A despeito da situação de seca que assola o vale, a região do cerrado teve índices pluviométricos regulares, garantindo uma safra recorde de grãos e fibras que somou 4.624.738 toneladas na safra 2006/2007.

Já nos vales, que compõem a bacia hidrográfica do São Francisco, as atividades agropecuárias são basicamente a pecuária extensiva e agricultura de subsistência. Na região de vale de Formosa do Rio Preto, onde a média anual de chuvas na última década foi de 1.092 mm, este ano alguns povoados registraram menos de 500 mm. No município a média de colheita no vale é de 96 mil sacas de cereais em anos normais de chuva. Na última safra, porém, este número foi inferior a 25 mil sacas.

"Além da quantidade de chuva ter sido menor, estes índices foram agravados pelo veranico que ocorreu no período de formação dos grãos (arroz, feijão e milho)", diz o chefe da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola de Formosa, Luiz Fernando Demarchi. De acordo com o engenheiro agrônomo, grande parte dos produtores não conseguiu produzir o suficiente para a alimentação da família neste período, nem guardar uma parte para servir de semente.

Para que os produtores possam começar a plantar tão logo a chuva comece foi montado um programa emergencial de sementes através da parceria entre o Estado e a prefeitura.

Demarchi salienta ainda a utilização de variedades mais precoces com maior resistência aos períodos de déficit hídrico.

Estação seca

 Apesar da diferença entre altitude, relevo, vegetação e índices pluviométricos, no oeste do Estado, tanto a área de cerrado quanto a de vale, tem um período de chuva bastante definido que começa nos meses de outubro/ novembro e vai até os meses de março/abril. Nos demais meses, a estiagem é considerada normal.

Para o agente de desenvolvimento da ONG 10envolvimento, Martin Mayr, apesar desta "normalidade" da seca, nos anos em que as chuvas são mais fracas, os efeitos da estiagem são sentidos mais drasticamente pois os reservatórios de água não são suficientemente abastecidos e a produção de alimentos é afetada.

"Por isso existe a preocupação de cada vez mais aumentar o número de tanques e açudes, bem como reservatórios para abastecimento humano", diz Mayr, acrescentando que órgãos federais, estaduais e municipais têm feito obras desta natureza "e há o propósito de que todas as comunidades tenham segurança hídrica".

Na opinião do agente, que há mais de dez anos trabalha com comunidades pobres da região, outra medida importante para minimizar os efeitos negativos do período de seca é o plantio de forragens para alimentar o rebanho. "Em uma região que passa pelo menos seis meses do ano sem chover, é preciso que as pessoas aprendam a conviver com a seca e para isso são necessários incentivos na disseminação de novas práticas agropecuárias que agridam menos o meio ambiente".

Previsão

 De acordo com a meteorologia, a temporada de chuva só deverá começar no mês de novembro e a expectativa de chuva este ano para a região do médio São Francisco (região de Bom Jesus da Lapa) é de 350 mm. O índice médio da região é de 840 mm/ano.