Fraude no leite pode manchar a imagem

25/10/2007

Fraude no leite pode manchar a imagem

 

A ocorrência de fraude no leite longa vida poderá manchar a imagem do Brasil no mercado internacional do produto. Neste ano, o País já comercializou US$ 153 milhões em lácteos, 16,4% maior que o valor entre janeiro e setembro de 2006. Apesar de os embarques serem, preferencialmente, de leite em pó e condensado, analistas acreditam que os concorrentes do Brasil poderão usar a denúncia como estratégia contra o país. E, se for comprovado que outras indústrias - além das duas cooperativas acusadas - também fraudaram o produto, a crise pode tomar proporções ainda maiores, segundo especialistas do setor. "Ainda não recebemos solicitamos de explicações por parte dos nossos clientes", diz a trader Paula Broisler, da Serlac Trading, principal exportadora de lácteos do Brasil.

Apesar de esperar que o País não tenha reflexos negativos no mercado internacional, ela teme que isso possa ocorrer. Para o trader Otávio Farias, da Hoogwegt do Brasil , uma fraude no leite exportado é quase impossível. "Quem exporta é muito sério e não vai querer brincar com isso", afirma. Além disso, segundo ele, quem compra faz uma análise cromatográfica, que teria como verificar qualquer anormalidade. Também com o argumento de que o País não exporta leite UHT, o presidente da Comissão Nacional de Pecuária Leiteira da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, diz que a questão é muito localizada. "Entretanto, é bom a gente ter juízo porque acaba criando problemas assim como focos de aftosa, que provocaram um descrédito do País", avalia. Alvim lembra ainda que apesar de as cooperativas captarem 40% do leite produzido no Brasil, não processam todo esse volume. Na sua avaliação, com a entrada da Polícia Federal, nunca ficou tão seguro consumir leite. "Quem fraudava, parou", acredita.