MST invade 8 fazendas no Pontal do Paranapanema

11/01/2006

MST invade 8 fazendas no Pontal do Paranapanema

 

Não houve confronto nas ocupações feitas por 600 famílias; proprietários devem recorrer hoje


 

PRESIDENTE PRUDENTE (SP). Cerca de 600 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram no fim de semana oito fazendas no Pontal do Paranapanema. As ações foram desencadeadas em cinco municípios da região, no extremo oeste do estado de São Paulo. Em Mirante do Paranapanema, os sem-terra ocuparam as fazendas São Francisco, Morumbi, Bonanza e Platzeck. Outras invasões ocorreram em Caiuá (fazenda Nossa Senhora das Graças), Presidente Venceslau (São Camilo), Santo Anastácio (Boa Vista) e Teodoro Sampaio (Santa Luzia).

Não houve confrontos. Os proprietários devem entrar hoje com pedidos de reintegração de posse das áreas à Justiça.

Wesley Mauch, um dos líderes do MST no Pontal, informou ontem que as invasões têm o objetivo de pressionar o Incra e o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) a instalar assentamentos de sem-terra na região.





Segundo Mauch, as 600 famílias envolvidas nas invasões em série vivem em acampamentos à beira de estradas, em barracos de lona e madeira. Atualmente, de acordo com ele, duas mil famílias de sem-terra aguardam lotes de assentamentos rurais no Pontal. Isso, na avaliação do líder, cria uma “situação inadequada para o ser humano sobreviver”.

— Os governos vêm à região, cadastram os sem-terra, criam expectativa, mas não avançam — criticou.

UDR: governo deve dar um basta à reforma agrária



O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antônio Nabhan Garcia, disse ontem que está na hora de os governos estadual e federal darem um basta à reforma agrária. Para ele, as oito invasões em série no fim de semana significam que o MST tem a certeza da impunidade e porque é tratado como um aliado do governo Lula:

— Trata-se de uma orientação do próprio governo: pressiona quem tem mais.