Produção de couros deverá diminuir no país em 2008
Mesmo com perspectiva de exportação recorde em 2007, as indústrias de couros devem reduzir a produção entre 5% e 10% no próximo ano, de acordo com estimativas do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). "Há uma expectativa de redução do abate de bovinos entre 5% e 10%. O mundo quer comprar mais couro, mas se não comem a carne, os curtumes não têm matéria-prima", diz Luiz Bittencourt, diretor-executivo do CICB. Segundo ele, o abate de bovinos em 2008 deve ficar por volta de 40 milhões de cabeças, ante 43 milhões neste ano.
O setor processa em média 45 milhões de couros por ano e, desse total, exporta 35 milhões. A previsão para este ano é que os embarques cresçam 23% em receita, para valor recorde de US$ 2,3 bilhões. Até setembro, os embarques cresceram 25% em receita (para US$ 1,62 bilhão), mas recuaram 1% em volume, para 307,622 mil toneladas. "Já há volume menor devido à redução do abate de bovinos", diz Bittencourt. Do total a ser exportado, ele prevê queda de 8% nos embarques de couro wet blue (na primeira fase de processamento). Já as vendas externas do couro acabado devem crescer 16%, graças sobretudo à maior demanda pelas indústrias do setor automotivo.
A expectativa de queda na produção de couro preocupa indústrias de insumos, como a alemã Lanxess. De acordo com Fábio Bellotti da Fonseca, gerente da unidade de negócios couros da Lanxess, o mercado de insumos para tratamento de couros terá uma queda em receita de 7% neste ano, para US$ 296 milhões. E, em 2008, deve registrar redução próxima de 5%.
Além da menor oferta de couro bovino, Fonseca diz que os curtumes estão produzindo menos couros acabados. O segmento já caiu 10,5% neste ano, para 17 milhões de unidades, e deve baixar para 16 milhões no próximo ano. "O consumo no país está menor. A produção de calçados de couro caiu de 348 milhões de pares para 206 milhões em dois anos", exemplifica. Segundo ele, o mercado de químicos para couro wet blue recuou 8% no ano, para US$ 120 milhões. O segmento de produtos para o semi-acabado caiu 4% (para US$ 103 milhões) e o de produtos para couro acabado, 12% (US$ 74 milhões).
Fonseca não informa a participação de mercado da Lanxess no segmento, mas diz que a empresa triplicou as vendas de químicos para couros acabados, graças sobretudo ao lançamento de vernizes, impermeabilizantes e outros itens voltados aos setores calçadistas, automotivo e moveleiro.