Cenário positivo para máquinas em 2008
O ano positivo para os produtores brasileiros de grãos, devido aos bons preços internacionais, e a expectativa de uma nova safra recorde em 2008 leva as indústrias de máquinas agrícolas a apostarem na entrada de um novo ciclo de alta para o setor, que deve durar pelo menos até 2010. "Não há previsões de alteração nos atuais parâmetros de preços pelo menos nos próximos três anos, reflexo do aumento da demanda global por alimentos e a disputa por área para culturas voltadas à bioenergia", afirma Milton Rego, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Para as indústrias de máquinas agrícolas, que devem encerrar 2007 com crescimento de 41% nas vendas para o país , a expectativa é, no próximo ano, voltar aos níveis recordes alcançados em 2002. Para o mercado interno, Rego prevê crescimento entre 15% e 20% no próximo ano, chegando a 41,4 mil unidades - em 2002 as vendas chegaram a 42,47 mil unidades. "Só não vamos repetir o resultado porque o segmento de colheitadeiras ainda demorará a voltar àqueles níveis", observa Rego.
No segmento de tratores de rodas, a Anfavea projeta aumento de até 15%, chegando a 38 mil unidades - maior volume desde 1994, quando as vendas somaram 38,5 mil unidades. Para colheitadeiras, a previsão é de expansão de 20%, para 2,4 mil unidades (até 2004, a média de vendas no país era de 5,5 mil unidades por ano). "As vendas para o Centro-Oeste ainda não alcançarão o seu melhor nível, devido ao alto volume de dívidas", pondera Rego. Ele observa ainda que a maior demanda por setores como os de cana, café e fruticultura ajudam a compensar as vendas mais tímidas de tratores para o setor de grãos. Mas não há quem compense a demanda dos setores de grãos por colheitadeiras.
"Não haverá recorde em colheitadeiras. Mas teremos uma safra de grãos 7 milhões de toneladas maior. Isso significa R$ 10 bilhões a mais. É renda que vai aumentar no campo", afirma Rego. Segundo dados do Ministério da Agricultura, já houve aumento na renda agrícola ("da porteira para dentro") de R$ 15 bilhões neste ano, ou de 11,6%, para R$ 116 bilhões. "Essa renda extra já permitiu a recuperação do setor agrícola neste ano", afirmou o executivo.
Já as exportações, segundo ele, devem se manter estáveis em 24 mil unidades, entre tratores e colheitadeiras. "No exterior, os demais países recebem o mesmo estímulo que o Brasil para aumentar a produção agrícola. Mas o câmbio não está favorável para competir em mercados mais distantes, como Estados Unidos, Europa e África", lamenta Rego. Segundo ele, as indústrias tenderão a respeitar os contratos de entregas na América Latina, que são os mais antigos. "Provavelmente perderemos alguns mercados conquistados nos últimos anos", diz. A produção deve crescer 9%, chegando a 65,4 mil unidades em 2008. O maior volume de produção já alcançado foi em 2004, de 69,4 mil unidades.