Satélites brasileiros a serviço do campo

05/11/2007

Satélites brasileiros a serviço do campo

 

São José dos Campos (SP), 5 de Novembro de 2007 - Desde o início dos anos 90, com o lançamento do Satélite de Coletas de Dados (SCD-1), a tecnologia espacial de ponta ingressou definitivamente no agronegócio brasileiro. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) tem sido pioneiro e apoiado as iniciativas de uso do equipamento aplicado à economia agrária. Além do hoje contar com uma série de satélites, a entidade mantém o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) com a maior estrutura de previsão meteorológica do cone sul americano.
Atualmente o país tem uma rede de Plataformas de Coleta de Dados (PCDs) espalhadas pelo território nacional que recolhem informações ambientais diárias, tais como umidade relativa do ar, volume pluviométrico, direção e velocidade dos ventos, temperatura entre outras informações que são transmitidas via satélite e processadas nos supercomputadores do Cptec, em Cachoeira Paulista (SP).
Essas PCDs estão distribuídas conforme as necessidades das regiões e são divididas em três grandes grupos, hidrometeorológica, agrometeorológica e meteorológica. As agrometeorológicas estão mais concentradas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, além de abranger o Nordeste na região com maior índice de chuvas.
Desta base de dados, os cientistas do Inpe conseguem distribuir praticamente em tempo real boletins meteorológicos para cooperativas agrícolas, fazendeiros e até mesmo a associações de pequenos agricultores e pecuaristas. Atualmente o centro deixa disponíveis essas informações no site aberto ao público.
Neste espaço virtual há diversas informações, como umidade do solo, monitoramento de secas e geadas, histórico de vários itens ambientais e orientações como o Zoneamento Agrícola e Época da Plantio de Cada Município. Nele se saberá, por exemplo, que na pequena cidade de Cafezal do Sul, no Paraná, o tipo de solo e data para plantio de algodão herbáceo, amendoim, arroz sequeiro e café entre outras culturas.
Também há produtos como avisos agrometeorológicos sobre geadas, secas e chuvas. O Cptec já emitiu com antecedência o seguinte comunicado: "Geada. Possibilidade remota de geada. Uma frente fria ingressará no RS e SC e provocará declínios de temperatura. Em algumas localidades desses estados as temperaturas mínimas poderão ficar abaixo dos 5ºC, possibilitando a ocorrência de geadas em algumas localidades das serras gaúcha e catarinense", numa referência às condições climáticas desta semana.
O Consórcio Sino-Brasileiro de Sensoriamento Remoto (Cbers), que já está em seu terceiro satélite, fornece imagens gratuitamente a qualquer instituição do país. Por essas imagens, se consegue identificar áreas que estão sendo agricultáveis e até mesmo o tipo de cultivo feito na região. Elas também são muito eficientes para avaliar o volume de água nas represas e a expansão da fronteira agrícola, além de controlar as áreas limites entre as cultiváveis e as de preservação ambiental.
Depois de ser abandonado no fim dos anos 90 devido a sucessivas crises econômicas, as agências espaciais brasileira e argentina voltaram a negociar a produção de satélite comum. Conhecido como Sabia, o Satélite Argentino-Brasileiro de Informações sobre Agricultura, Meio Ambiente e Água, poderá ser uma realidade nos próximos anos. O Sabiá fornecerá dados voltados ao desenvolvimento do agronegócio na região do Mercosul, incluindo Uruguai e Paraguai.