Máquina vai colher e enfardar o algodão
São Paulo, 5 de Novembro de 2007 - Entre as tecnologias mais esperadas no campo, a vedete será uma "super-colheitadeira" de algodão, que já entrega o fardinho pronto para a beneficiadora. A máquina, lançada este ano nos Estados Unidos, virá ao Brasil para a colheita 2007/08 (junho) mas apenas quatro unidades serão colocadas à disposição dos produtores brasileiros, segundo Fábio Borgonhone, gerente de Marketing da Case IH. "Em escala comercial, somente em 2009", avisa o executivo.
O mega-produtor Eraí Maggi, de Mato Grosso, garante que será um dos clientes agraciados. "Vamos testar essas máquinas aqui. Estamos nos preparando para isso", avisa. Com 70 mil hectares de algodão cultivados no Estado, o produtor é considerado um importante cliente das indústrias de máquinas agrícolas. Somente de colheitadeiras de algodão, o empresário rural tem uma frota de 95 unidades.
As inovações que a máquina traz prometem fazer crescer o olho de produtores de pluma de todo o País e causar uma "saia-justa" nas revendas, que não vão poder atender a todos. "Ainda não temos a lista de quais clientes ficarão com as 4 máquinas disponíveis", desconversa Borgonhone.
Normalmente, uma colheitadeira convencional retira a pluma do campo, a transfere para a caçamba de um caminhão, que descarrega em uma prensa, que realiza o trabalho de prensagem. Em seguida, o "fardinho" formado é levado para a beneficiadora - onde o ocorre o descaroçamento da pluma e o enfardamento definitivo.
A "super-colheitadeira" da Case, batizada de Module Express 625, retira a pluma do campo, prensa e já entrega o fardo pronto para a beneficiadora. "Outra vantagem é que o fardinho sai no formato padrão, no exato tamanho para ser introduzido na máquina de descaroçamento", acrescenta.
Entusiasmado com o lançamento, Borgonhone dispara em elogiar a máquina. "Colhe dos dois lados simultaneamente e tem a menor perda de maçãs. A cesta possui sensores automáticos, que fazem o nivelamento do fardo", diz Fábio, "sem perder o desempenho na velocidade, que é de 7,8 km/h", completa.
O preço?, diz Borgonhone, ainda não foi formado para o Brasil. Nos Estados Unidos ela custa em torno de US$ 480 mil, enquanto uma colheitadeira de sistema convencional sai por cerca de US$ 350 mil, compara o gerente da Case.
A John Deere também lançou nos Estados Unidos uma colheitadeira com tecnologia de enfardamento, mas nenhum executivo da empresa quis falar sobre o assunto.
GPSO Sistema de Posicionamento Global (GPS, sigla em inglês) já é velho conhecido do campo. O equipamento é largamente usado na agricultura empresarial em máquinas e aviões. Mas, neste ano, está disponível no mercado um programa que permite a aplicação aérea de produtos químicos em doses variáveis, de acordo com a necessidade de cada talhão. "Esse programa permite que as definições feitas pelo engenheiro agrônomo sejam introduzidas no GPS. A aplicação é feita no volume necessário a cada área", explica Eduardo Cordeiro de Araújo, sócio-gerente da Agrotec. Para isso, é preciso que o GPS do avião disponha de um controlador de vazão. "Quem compra esse controlador, já ganha o programa", anuncia Araújo.
O executivo também espera que outras tecnologias já lançadas tenham alta adesão de produtores rurais nessa safra. Entre elas, os modelos de GPS com gravação dos dados de vôo. A partir desses registros, toda a aplicação e respectivas doses e localização ficam gravados para conferência e avaliação de desempenho", detalha. Atualmente, 50% dos GPSs em uso no Brasil não permitem gravação dos dados do vôo. Araújo estima que a frota nacional de aviões agrícolas seja de 1,3 mil unidades, dos quais 100% dispõem de GPS, tecnologia que foi introduzida no Brasil há mais de 10 anos, em 1995.