Governo vistoria cooperativas de leite

06/11/2007

Governo vistoria cooperativas de leite


O Ministério da Agricultura realizou ontem vistorias em três empresas de leite, interditando-as temporariamente. A Avipal, em Itumbiara (GO), e duas unidades da Parmalat, uma em Carazinho (RS) e outra em Santa Helena (GO), foram fechadas para inspeção até que se comprove a qualidade do produto longa-vida. Um lote da unidade em Santa Helena e outros três em Carazinho foram interditados e tiveram amostras recolhidas para análise. Em Uberaba, a Coopervale teve suspensa a venda de leite tipo C e de outros produtos lácteos, além do longa-vida, já proibido.

O ministério informou que as empresas investigadas na Operação Ouro Branco da Polícia Federal (PF) por supostamente adulterarem o leite longa-vida adicionando soda cáustica e água oxigenada para dar mais volume e mascarar a má qualidade, estão proibidas de comercializar o produto até que seus processos sejam avaliados. As empresas poderão fabricar e estocar o leite longa-vida, mas não vendê-lo. O governo, no entanto, recusou-se a fornecer o nome de todas as investigadas.

Em Carazinho, onde dois lotes de leite longa-vida foram interditados há uma semana pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), amostras de outros três lotes foram recolhidas ontem e encaminhadas para análise. O superintendente regional do ministério, Francisco Signor, disse que a inspeção é de rotina e a comercialização será retomada nos próximos dias se os exames comprovarem que o leite está dentro dos padrões. Ontem, a fábrica manteve as atividades de recepção e beneficiamento, mas não despachou cargas.

A informação inicial fornecida ontem pelo governo era de que havia sido suspensa a venda de leite fornecido pelas quatro cooperativas mais a Casmil, em Passos (MG) - alvo dos policiais logo no primeiro dia da operação. Num primeiro momento, a Assessoria de Imprensa confirmou a interdição, mas depois recuou e disse apenas que um ofício proibira a comercialização.

A decisão foi tomada depois de técnicos do ministério verificaram que o leite integral produzido nessas empresas estava fora de padrão. Não especificaram quais seriam as disparidades, mas as fraudes podem envolver adição de água, açúcar, soro ou a presença de níveis excessivos de alcalinidade.

O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, lembrou que há cinco anos os produtores vêm denunciando ao ministério fraudes econômicas na cadeia produtiva do leite.

“Não imaginávamos que a situação fosse tão grave quanto o que está sendo colocado, mas imaginávamos que estava havendo adulteração do produto com adição de soro, água ou amido”, afirmou. Apesar da insistência dos produtores, providências não foram tomadas. Alvim lembrou que o governo não tem condições de fazer uma fiscalização efetiva na cadeia produtiva do leite.

O leite é produzido em todos os 5.565 municípios do País. Para fiscalizar as 1.700 empresas do setor lácteo, há 212 fiscais federais agropecuários. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou um novo modelo de fiscalização que deve começar na segunda-feira. Vistorias surpresa serão feitas aleatoriamente. Antes, fiscais ficavam fixos nas empresas.