Fiscal do Mapa fará visitas-surpresa em laticínios de MG
São Paulo, 6 de Novembro de 2007 - O Ministério da Agricultura começa a intensificar a fiscalização de empresas de laticínios, para reforçar o controle da qualidade do leite e inibir as fraudes. Cinco equipes de fiscais federais - cada uma com três fiscais - começaram a trabalhar ontem no novo modelo de auditoria na indústria de leite. O trabalho foi iniciado em Minas Gerais, que concentra 60% da produção nacional de leite e onde foi detectada adulteração de leite com soda caustica e água oxigenada por cooperativas locais, segundo fontes do ministério.
Antes de surgir a suspeita de adulteração do leite, existia apenas um fiscal que trabalhava permanentemente nas indústrias - o que na opinião do Ministério da Agricultura, cria vínculo com os fabricantes.
Na operação batizada de "Ouro Branco" foram presos dois fiscais da agropecuária suspeitos de participarem da fraude de leite. Ou seja, eles participaram da mistura de soda caustica e de água oxigenada no leite, para dar mais volume ao alimento, por exemplo.
O ministério acabou com o trabalho permanente dos profissionais nas indústrias. Com a alteração nas medidas de fiscalização, os fiscais farão rodízio entre os profissionais, para evitar que eles criem "laços com os fabricantes de leite". Ainda, segundo a assessoria de imprensa do órgão, eles chegarão de forma aleatória e de surpresa nas indústrias de leite .
Projeto Piloto
O atual trabalho dos fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura faz parte de um plano piloto criado no mês passado em cinco cidades de Minas Gerais. A idéia do ministério é que a experiência seja levada para os demais estados do País. Na operação, os fiscais investigam a fabricação dos produtos lácteos, sobretudo os pausterizados, UHT e em pó. "O objetivo é identificar possíveis irregularidades desde a questão sanitária até a adição de substâncias não permitidas", disseram os assessores do ministério. Por enquanto, o ministério não alterou o número de fiscais que trabalham na indústria brasileira de leite. No total, são 212 fiscais, dos quais dois foram presos na operação "Ouro Branco".
Unidades liberadas
O Ministério da Agricultura liberou sexta-feira as duas unidades da Parmalat, cuja fabricação de UHT havia sido suspensa durante a semana passada por falta de conformidade técnica. As duas estão localizadas nas regiões de Goiás e Rio Grande do Sul. Além disso, outras unidades de empresas como Casmil, Copervale e Avipal, do Nordeste. Foram quatro no total. "As duas unidades da Parmalat foram liberadas porque já apresentaram o plano de medidas de controle e de monitoramento de qualidade e de conformidade.
A companhia apresentou também as análises laboratoriais solicitadas pelo órgão e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária", segundo disseram fontes do ministério. As demais bases de produção de leite ainda não apresentaram as solicitações feitas pelo Ministério da Agricultura e da Anvisa.
Supermercados vigiados
Paralelamente ao trabalho de fiscalização nas indústrias de Minas Gerais, algumas equipes de fiscais agropecuários continuam trabalhando nas redes dos supermercados do País, desde a semana do dia 22 de outubro, quando surgiram as informações sobre a adulteração do leite. Eles estão coletando amostras de leite longa vida fabricados por todas as empresas brasileiras, segundo o Ministério da Agricultura.