Flórida faz discurso a favor do álcool brasileiro, mas restrições persistem

06/11/2007

Flórida faz discurso a favor do álcool brasileiro, mas restrições persistem

 


Segundo Crist, a "Flórida quer ser o portão de entrada para o álcool brasileiro"
Cercado por empresários americanos, o governador da Flórida, Charlie Crist, disse ontem a uma platéia lotada na Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) que é receptivo ao álcool brasileiro e aos investimentos nesse segmento. A Flórida, um Estado rodeado por cinturões de laranja, também quer investir em cana para etanol. 
Na prática, contudo, o mercado de etanol no Estado da Flórida, que "importa" o álcool produzido no Meio-Oeste americano, não deve ganhar impulso tão cedo. Isso porque não há uma legislação que exija a mistura do álcool na gasolina naquele Estado, como existe no Brasil.  Segundo Michael Sole, secretário de Meio Ambiente da Flórida, o governador Crist estuda exigir a mistura de 10% de álcool na gasolina. Para que isso ocorra, a decisão tem de ser aprovada pelo Estado. "Estudamos fazer essa recomendação." Porém, essa medida será estudada somente a partir outubro de 2008 e depende de muitos fatores. Entre eles, a avaliação do impacto ambiental da produção de etanol no Estado. 
A Flórida tem uma frota de cerca de 500 mil veículos flexfuel, de um total de 16 milhões de automóveis - todos movidos à gasolina. O consumo de álcool no Estado é de 350 milhões de galões (1,3 bilhão de litros). Marcos Jank, presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar, lembra que o Estado sozinho consome 8,6 bilhões de galões de gasolina (32,5 bilhões de litros) por ano. "O Brasil consome 25 bilhões de litros de gasolina/ano." 
Segundo Jank, o mercado da Flórida para o etanol brasileiro tem um enorme potencial, considerando que o Estado todo tem apenas três postos de distribuição do combustível. "Eles afirmam que o problema para a importação é a limitação dos portos. Na verdade, o problema é a tarifa imposta [de US$ 0,54 por galão]", afirmou. Jank defende uma aproximação do setor privado com os Estados americanos interessados no etanol. 
Embora tenha dito em seu discurso que a "Flórida quer ser o portão de entrada para álcool brasileiro", o próprio governador admitiu que há limitações para importar o produto do país. Segundo Crist, o governo da Flórida é um forte lobista para tentar reduzir a tarifa americana, uma vez que tem vários representantes no Congresso dos EUA. O comércio entre Brasil e Flórida rende em torno de US$ 11 bilhões/ano. Hoje, Crist vai visitar a usina Da Barra, do grupo Cosan.