MST negocia com o Incra desocupação de propriedade
O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) prometeu acelerar a vistoria de quatro propriedades situadas no município de Ibiquera (a 367 km de Salvador) para proporcionar assentamentos de trabalhadores sem-terra e solucionar a ocupação da Fazenda São Sebastião, do pecuarista Wilson Paes Cardoso.
Mas enquanto algumas lideranças do MST negociavam, ontem, em Salvador, com a direção do órgão, novos ocupantes chegaram à propriedade e começaram a armar barracas de lona.
Desde segunda-feira que a Justiça determinou a reintegração de posse da Fazenda São Sebastião.
Contudo, os sem-terra disseram que só saem sob força policial.
O deputado estadual José Neto (PT), que tem atuado como intermediário entre o MST e o Incra, disse que ainda não há data para as vistorias. Entretanto, já vai ser providenciado o levantamento das escrituras das propriedades, apontadas pelos sem-terra há mais de um ano, para que as medidas visando às desapropriações sejam adotadas.
Negociação
Além do deputado, participaram das negociações, na capital, o superintendente regional do Incra, Luís Gugê, o chefe da Divisão Técnica do órgão, Paulo Coqueiro, um dos coordenadores regionais do MST, Gilmário Machado da Cruz, e mais quatro sem-terra.
Depois da reunião de ontem com o Incra, os sem-terra disseram que fariam uma assembléia com os ocupantes da Fazenda São Sebastião para decidir se mudariam a ocupação para outra propriedade ou não, informa o deputado José Neto. “Ficou claro na negociação que a Fazenda São Sebastião é produtiva e que ela foi escolhida para essa ocupação porque pertence a um pecuarista de grande projeção”, frisou o deputado José Neto.
Durante a tarde de ontem, o pecuarista Wilson Cardoso foi informado de que chegou mais uma dezena de sem-terra na propriedade.
Os novos ocupantes incentivaram os que já estavam no local a começar a armar as barracas de lona, dando a entender que pretendem ficar muito tempo.
Cardoso é considerado um dos principais produtores de gado da Bahia e o maior da Chapada Diamantina.
Ele é presidente do Fórum Permanente de Pecuária de Corte do Estado da Bahia e diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia.
A federação lançou uma nota oficial alegando que a área ocupada “é um empreendimento produtivo, que tem levado diversos benefícios diretos e indiretos para a região onde está situada. Apela ainda que produtores rurais precisam da normalidade legal fundamental para que alcancem os resultados na geração de emprego e renda. Atualmente, a fazenda abriga 1.432 cabeças.