BNDES vê demanda maior pelo Moderfrota

16/01/2006

BNDES vê demanda maior pelo Moderfrota

Francisco Góes Do Rio

 

O BNDES espera, em 2006, uma recuperação na demanda por recursos do Moderfrota, linha de crédito com juros fixos que financia a compra de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas. Mas, apesar do sinal positivo, é difícil imaginar que a retomada eleve os desembolsos do banco neste programa aos níveis de dois anos atrás. Em 2004, o BNDES desembolsou R$ 4,6 bilhões para a compra de tratores e colheitadeiras, incluindo o Moderfrota e a Linha Especial da Finame.

Este valor é mais que o dobro do que o Moderfrota desembolsou em 2005 (R$ 1,9 bilhão). Já a linha Especial deixou de financiar tratores e colheitadeiras, focando-se em outros implementos. No ano passado, as liberações do Moderfrota tiveram queda de 18% na comparação com 2004, conforme Cláudio Leal, chefe do departamento de máquinas e equipamentos da área de operações indiretas do BNDES.

A redução foi motivada pela crise no setor de grãos. Leal acrescentou que, no total dos programas agrícolas do BNDES, as liberações atingiram cerca de R$ 4 bilhões no ano passado, envolvendo mais de 62 mil operações. Em 2004, esse montante foi de R$ 6,5 bilhões e o número de operações atingiu 102,9 mil. De acordo com Leal, desde julho de 2005 verifica-se, entretanto, uma recuperação da demanda no conjunto das linhas agrícolas do banco.

Em dezembro último, os desembolsos atingiram R$ 188 milhões (dos quais o Moderfrota respondeu por cerca de 87% do total), segundo o banco, acima dos R$ 183 milhões de julho de 2005, mês que precedeu "o fundo do poço" em termos dos empréstimos do banco para o setor.

"Agora em janeiro os números devem ser superiores aos de dezembro", acredita Leal. Segundo ele, a expectativa de recuperação no Moderfrota se baseia no crescimento da safra agrícola.

Conforme o IBGE, a produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas pode atingir o volume de 127,6 milhões de toneladas em 2006 com um crescimento de 13,2% em relação ao ano passado. A Anfavea projeta aumento de 16% nas vendas de máquinas agrícolas no mercado interno este ano, com 27 mil unidades comercializadas.