Desastre ambiental causa morte de peixes em Itabuna

08/11/2007

Desastre ambiental causa morte de peixes em Itabuna


Dezenas de peixes morreram no Rio Cachoeira, nos últimos dois dias, em razão da pequena quantidade de água e da falta de oxigênio provocada pela intensa poluição das águas. O rio, que corta o centro de Itabuna (a 433 km de Salvador) e deságua no mar, em um trecho do litoral de Ilhéus, recebe 85% dos esgotos domésticos sem tratamento, produzidos por mais de 200 mil moradores do município, segundo dados da prefeitura.
Para moradores de Itabuna e comerciantes de ruas próximas às margens, o desastre ambiental teria começado na segunda-feira última, depois que foram abertas as comportas da barragem do rio, que já apresentava pequeno volume de água. A questão gerou polêmica política entre grupos locais.
Algumas pessoas e adversários do prefeito Fernando Gomes (DEM), ontem, diziam, em Itabuna, que prepostos da prefeitura teriam aberto as comportas de propósito.
E acusavam o prefeito de estar retaliando a comunidade, porque se opôs a seu projeto de transferir a concessão dos serviços de água e esgoto do município para a iniciativa privada.
As propostas das empresas concorrentes seriam abertas hoje, se a Justiça local não tivesse concedido liminar a uma ação cautelar do Ministério Público pedindo o cancelamento da licitação. Segundo Emerson Santos Barreto, assessor da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Seduma), responsável pelo controle da barragem, o crime foi praticado por vândalos ou pessoas interessadas em indispor o prefeito com a comunidade. Barreto disse que essas pessoas até teriam roubado a madeira que fecha as comportas da barragem e que o secretário Marcos Alan Ribeiro prestou queixa na Polícia Civil, que está investigando o caso.

Mau Cheiro

O assessor afirmou que o pessoal do setor de Meio Ambiente da Seduma só percebeu o problema na terça-feira, quando o leito do rio já estava muito baixo, e, imediatamente, o secretário Alan Ribeiro tomou providências para sanar o problema.
Ontem de manhã, o mau cheiro atraiu grande quantidade de urubus e garças para comer os peixes mortos sobre as pedras, que ficaram à mostra com a baixa vazão do rio. Nos últimos três anos, as garças são as habitantes mais freqüentes do Cachoeira, onde capturam com facilidade o peixe, enfraquecido pela poluição.
À tarde, com um volume de água um pouco maior, a situação estava mais controlada. Mesmo assim, em alguns pontos do rio, cardumes de acaris e tilápias ainda saltavam em busca de um local com mais água.
O motorista José Matias Alves, morador no bairro Conceição, disse que, ontem, o mau cheiro não foi muito forte, mas nas maiores mortandades de peixe fica difícil para os moradores às margens do rio fazerem refeições e até dormirem, principalmente os da Rua do Prado, em frente ao rio. Os comerciantes da Avenida Francisco Ferreira, que fica na outra margem do rio, no centro da cidade, também reclamam que o problema afasta os consumidores da área, onde há também hotéis e diversos estabelecimentos comerciais.
Segundo o assessor Emerson Barreto, as comportas da barragem do Rio Cachoeira ficam sempre fechadas, principalmente nos períodos mais secos do ano, para evitar a mortandade de peixes, que ocorre com freqüência no período do verão, porque a água poluída fica muito tempo represada.
Emerson explica que as comportas regulam a quantidade de água do rio à montante (antes da barragem) e à jusante (após a barragem), por isso fica apenas uma pequena abertura, necessária para suprir o curso do rio. “Nós só abrimos totalmente as comportas quando ocorrem grandes enchentes no Rio Cachoeira , para evitar o transbordamento e o alagamento do centro da cidade”, explicou o assessor Emerson Barreto.