Sem estratégia e sustentabilidade, avanço não vinga

08/11/2007

Sem estratégia e sustentabilidade, avanço não vinga


 

O Brasil precisa rapidamente definir estratégias e políticas capazes de assegurar ao país o esperado papel de liderança no fornecimento mundial de produtos agrícolas para a produção de alimentos e energia no médio e longo prazos. 
Reunidos em São Paulo na comemoração do aniversário de 65 anos do Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria de Agricultura do Estado -, os ex-ministros Luis Carlos Bresser Pereira (Fazenda) e Roberto Rodrigues (Agricultura) afirmaram que essa estratégia não existe, apesar do enorme potencial do campo brasileiro. E que dela devem obrigatoriamente fazer parte mudanças macroeconômicas e ligadas à sustentabilidade da produção. 
Bresser Pereira lembrou que a atual relação entre o real e o dólar é extremamente desfavorável ao agronegócio nacional, que tem perfil exportador. Voltou a sugerir, paradoxalmente, a criação de um imposto sobre as exportações. Segundo ele, uma medida como essa seria capaz de ajudar a deslocar a curva de oferta e tornar o câmbio mais favorável. Assim, conclui, o "custo" da taxa seria compensado pela própria depreciação do real. 
Rodrigues, que hoje coordena o Centro de Estudos do Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), preside o Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e lidera a Comissão Internacional do Etanol, concorda que o câmbio é um grave obstáculo para a expansão do agronegócio exportador do país, tendo em vista, particularmente, que o Brasil é um dos poucos países do mundo com terras agricultáveis disponíveis para atender ao vigoroso aumento da demanda mundial projetado. 
Segundo a FAO, braço das Nações Unidas para alimentação e agricultura, a demanda global de grãos e carnes deverá crescer 42% nos próximos 30 anos. No mesmo horizonte, o mundo também demandará 50% mais energia, sendo que na área de combustíveis líquidos o salto deverá alcançar 55%. "A agricultura terá de atender esses crescimentos", diz Rodrigues, considerado uma espécie de "embaixador do etanol". 
Nessa frente, reitera, o mercado precisa de outros produtores além do Brasil e de mercados consumidores garantidos. Para isso, a mistura de etanol na gasolina terá de ser compulsória em mais países.