USP mapeia problemas da cadeia em SP
O grande número de cooperativas e a falta de uma política de ação conjunta minam o potencial de crescimento da cadeia produtiva de leite no Estado São Paulo, um dos principais produtores do país. Essa é uma das conclusões de um estudo elaborado pelo Centro de Conhecimento em Agronegócios (Pensa), da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, de Ribeirão Preto.
Encomendado pelo próprio setor, o estudo tenta fazer um planejamento estratégico para a cadeia do leite, mostrando pontos fortes e oportunidades de mercado. Mas também aponta dez itens considerados negativos para a sua expansão. O principal deles é o fato de existirem hoje 23 cooperativas no Estado, um número alto para um setor que não dialoga e, assim, perde chances de racionalizar a produção e minimizar custos. Além disso, a grande maioria dessas cooperativas é de pequeno porte e está em más condições financeiras, ressaltam os pesquisadores. "É preciso haver um processo de fusão", avalia Marcos Fava Neves, coordenador do estudo. "É um processo doloroso, mas fundamental".
A produtividade desigual entre as fazendas paulistas e a qualidade do leite também são questionados no estudo. Fava lembra que embora a adição de soda cáustica no leite em duas cooperativas mineiras tenha sido um ato de má-fé, episódios como esse podem se repetir. "Vários produtores vendem para uma mesma cooperativa, que pode repassar para outra cooperativa... como saber quem fez algo errado? quem tem esse controle? Somente com a rastreabilidade, mas isso é custo", diz ele. "Quanto mais desorganizado e menos transparente for a cadeia produtiva, mais haverá esse tipo de coisa".
Na opinião de Fava, a cadeia de leite paulista necessita se preparar para crescer e exportar. E isso significa passar pela profissinalização da gestão. Ele cita como exemplo o caso da Fonterra, a cooperativa da Nova Zelândia considerada referência mundial em eficiência e organização. "Com quase 90% dos produtores de leite do país, a cooperativa contratou um executivo internacional e profissinalizou a sua gestão", diz. "Aqui não se faz isso, fica tudo em família. As cooperativas têm de ser mais arrojadas".