Sustentabilidade dos transgênicos na berlinda

09/11/2007

Sustentabilidade dos transgênicos na berlinda

 

A recente preocupação com a produção sustentável no campo trouxe novamente à tona as discussões sobre os efeitos dos transgênicos sobre o meio ambiente e sobre o desenvolvimento econômico das regiões onde são cultivados. De um lado, pesquisadores ligados ao desenvolvimento de transgênicos alegam que a tecnologia traz ganhos de renda a agricultores e reduz o uso de defensivos agrícolas no campo. De outro, cientistas contra a tecnologia denunciam a redução do número de espécies da fauna e flora e adoção de defensivos mais tóxicos. 
Eugênio Ulian, gerente de relacionamento com a comunidade científica da Monsanto, apóia sua defesa aos transgênicos em pesquisas. Ele cita um estudo desenvolvido pela PG Economics, sobre o impacto da biotecnologia entre 1996 e 2006, no qual se conclui que a adoção da soja transgênica da Monsanto (Roundup Ready) no campo provocou uma redução de 51,4 mil toneladas de defensivos nos dez anos. 
No Brasil, a adoção da tecnologia causou redução de 1% no volume de herbicidas aplicados nas lavouras, o que equivale a 3,16 mil toneladas de produtos químicos a menos no solo. "É uma redução considerável para o meio ambiente. Fazer uma agricultura sustentável é utilizar os recursos disponíveis da melhor maneira possível e os transgênicos proporcionam ganhos ambientais e econômicos inquestionáveis", afirma Ulian. 
Ele também observa que a adoção de transgênicos combinada com a aplicação do herbicida glifosato permite aos produtores reduzir o número de aplicações de defensivos. Com isso, há menor consumo de combustível nos tratores, redução das emissões de carbono na atmosfera e redução nas perdas do solo. 
Mohamed Habib, professor titular especialista em controle biológico e agroecologia do Instituto de Biologia da Unicamp, relembra a história da evolução da agricultura para evidenciar os efeitos negativos da adoção dos transgênicos sobre o meio ambiente. Ele observa que qualquer espécie, vegetal ou animal, consome a grande parte da energia com auto-defesa. 
Nos processos de melhoramento genético convencional, cientistas direcionaram essa energia potencial para elevar a produtividade em menos tempo. E o efeito foi a redução da imunidade de plantas e animais. "Com isso, foi necessário aumentar o uso de defensivos agrícolas, vacinas, antibióticos", afirma. A adoção dos transgênicos elevou a capacidade de defesa das plantas. Mas exigiu a volta de agroquímicos de maior toxicidade. "O volume aplicado é menor, mas o efeito tóxico é maior e, com isso, há redução no número de espécies no meio ambiente", afirma Habib. Os pesquisadores participam da I Eco São Paulo, realizada pela Federação Nacional dos Engenheiros entre os dias 7 e 9.