Agricultura avalia tecnologias para beneficiamento do cacau

12/11/2007

Agricultura avalia tecnologias para beneficiamento do cacau

 

Quatro protótipos deprocessamento deamêndoas e de fabricação de chocolates estão sendo avaliados pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) com o propósito de incentivar a produção de derivados e subprodutos do cacau na região Sul da Bahia.

Equipamentos desenvolvidos por empresários, técnicos e pesquisadores, que poderão ser usados para o beneficiamento do cacau por pequenos e médios produtores, foram apresentados, na quinta-feira, no auditório da Seagri.

Os equipamentos e sua tecnologia servirão de base para a elaboração de um programa de aquisição tecnológica pela Seagri.

"Além das moageiras, já existentes, as processadoras e fábricas de chocolate e derivados possibilitarão a criação de mercados para produtos diferenciados, gerando trabalho e renda", declarou o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Wilton Cunha.

Ainda segundo ele, a expectativa é de que esses equipamentos sejam rapidamente implantados nas unidades produtivas, atendendo aos pequeno e médio produtores.

Depois de consolidada a técnica de clonagem e do trabalho contínuo de diversificação da cultura do cacau, o Governo do Estado quer gerar, adaptar e difundir tecnologias.

"A idéia é que, a partir do novo programa da Seagri, se consiga uma linha de crédito com os agentes financeiros para a compra de equipamentos e o desenvolvimento da agroindústria", declarou o diretor-geral da Seagri, Itazil Benício.

As ações estão previstas no plano de diversificação regional, o PAC do Cacau.

Cultura consorciada - A iniciativa motivou o pequeno produtor do município de Gandu presente à reunião, Jafete Almeida Santos, representante da cooperativa agrícola local.

Ele cultiva, de maneira consorciada, o cacau com a banana.

"Precisamos de incentivos como esse. Já temos um galpão e fornecemos as amêndoas de cacau para multinacionais da região. Com o beneficiamento do fruto, o retorno é garantido".

De acordo com o professor da Uesc, Dário Ahnert, especialista em genética e melhoramento vegetal, o lucro com o beneficiamento da amêndoa pode chegar a 100% para o produtor.

"Existe mercado ilimitado para produção de cacau orgânico ou fino e as condições são as melhores possíveis", considerou o pesquisador, que também é presidente do Instituto Cabruca de Ilhéus.

Tradição -

Como alternativa, Ahnert apresentou o trabalho de conservação do sistema de produção Cabruca, que consiste no cultivo do cacau sob a sombra da Mata Atlântica.

Segundo ele, a tradição secular é exclusiva da Bahia e conserva a biodiversidade, a água, o solo, além de seqüestrar e estocar carbono, preservando o meio ambiente.

São 400 mil hectares plantados no estado, resultando numa produção diferenciada, com adoção de princípios agroecológicos.

Outros processos foram apresentados durante a reunião na Seagri, dentre eles, a produção da massa do cacau (líquour), a partir da amêndoa fermentada e seca.