Baixo sul investe em pupunha

12/11/2007

Baixo sul investe em pupunha

 

Na casa da dona Maria da Glória Nascimento, na zona rural de Ituberá, um dos pratos preferidos é a moqueca de carne seca com palmito. “É muito bom. Todo mundo gosta”, diz a lavradora. A receita é feita de vez em quando e o palmito é cultivado pelo marido dela, Manoel Abel da Lapa Filho. Ele é um dos 320 agricultores familiares do baixo sul baiano que inseriram a pupunheira no sistema de policultivo e são responsáveis hoje pela produção de cerca de 3,5 milhões de potes de palmito por ano, produto vendido no mercado nacional e internacional.

Dos quatro hectares que tem, Manoel Abel destinou dois para a pupunha. Os outros estão ocupados com guaraná, cravo, piaçava e seringueira. A produção de palmito é de mil a 1,3 mil hastes a cada três meses – o que resulta em cerca de 650 potes de 300 gramas do produto.

Esse volume rende à família R$ 750. “Por enquanto, dá para ir quebrando o galho”, diz Manoel, que espera o aumento da colheita para incrementar a renda familiar. “A lavoura de seu Manoel está em fase de reajuste, por isso não tem rendimento total”, explica o técnico agrícola da Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm), Leandro Fonseca.

Segundo ele, para atingir produção máxima, são necessários três anos após o plantio, quando é possível colher cerca de mil hastes ao mês. Nesse estágio, a cultura rende R$ 650 por hectare.

SUSTENTO – As lavouras de Manoel Abel e de dois irmãos dele (Josivaldo, que cultiva dois hectares, e Valdomiro, um hectare) vêm sendo acompanhadas pelos técnicos da Coopalm, da qual os três são cooperativados. A assistência tem permitido a profissionalização do cultivo, com aumento de produtividade e redução de custos. Além disso, a cooperativa garante o escoamento do produto, com a industrialização, realizada através de prestação de serviço, e a venda. “Eles estão ensinando várias coisas, e isso melhorou a lavoura”, conta Josivaldo da Lapa. “Não é difícil tirar sustento aqui. Sabendo trabalhar a terra, dá para viver”, diz o agricultor.

De acordo com o técnico Leandro Fonseca, atualmente, a Coopalm tem mercado garantido “para volume duas vezes maior do que produzimos atualmente”, revela.

* As principais palmeiras produtoras de palmito são a pupunheira, o açaizeiro, a real e a juçara, que corre risco de extinção por causa da exploração predatória.