Lucro em 2007 chegou a R$ 5,6 mi

12/11/2007

Lucro em 2007 chegou a R$ 5,6 mi

 


A Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul (Coopalm) comercializa o produto dos 320 associados através de marca própria – a CultiVerde. Mas a maior parte da produção chega aos supermercados com rótulos Bonduelle, Extra, Compre Bem, Assai e Pepita – parceiros comerciais dos produtores.

Neste ano, o palmito da Coopalm foi vendido também na França e nos Estados Unidos, pela AlterEco. O apelo social e ecológico da produção – toda em agricultura familiar e não predatória – é uma das estratégias para a venda no mercado externo. A Coopalm estima para 2008 um aumento de 35% nas exportações.

O resultado da colheita dos agricultores é processado na Ambial Agroindústria Ltda., empresa do grupo Odebrecht que é contratada como prestadora de serviço pela Coopalm. “Recebemos diariamente cerca de 14 mil hastes, que rendem 10 mil potes. Isso representa 50% da capacidade da indústria”, conta Erivelto Assunção Batista, líder de produção da Ambial. Todo o processo é feito com rigor sanitário e com o cuidado de separar a produção de cada agricultor, para identificar o re n d i m e n t o .

Após o descasque, o palmito é lavado. A base é triturada e o restante vai para corte, que é feito por mulheres, por terem menos força que os homens, com facas cegas.

“Isso é para garantir que o palmito está mole”, explica Batista. Depois, o produto é envasado, lavado novamente e recebe salmoura. Tampados, os vidros passam por tratamento térmico em autoclave.

“Eles ainda ficam 15 dias estocados para verificação final de acidez e de vácuo”, explica Josenilton Cruz Souza, responsável pelo setor de qualidade da indústria. É a acidez que garante a qualidade biológica do produto e evita intoxicação pelos bacilos Clostridium botulinum e Clostridium parabotulinum, causadores do botulismo. “Ao comprar palmito ou outros enlatados, é importante observar se a tampa do vidro está estufada ou se há vazamento de água. Isso significa que o produto perdeu o vácuo e pode estar contaminado. Em casa, após aberto, conservar em geladeira e consumir apenas pelo prazo previsto no rótulo. No caso do nosso palmito é cinco dias”, orienta Batista.

Os trabalhos da Coopalm têm dado bons resultados. A cooperativa registrou de janeiro a outubro deste ano faturamento de R$ 5,6 milhões.

A projeção para 2008 é que a receita chegue a R$ 8,4 milhões, o que representa um crescimento de 50%. A área total plantada é de 890 ha. “Desses, 200 hectares ainda não estão em fase de colheita”, diz o técnico agrícola Leandro Fonseca.

A cadeia produtiva do palmito é um dos projetos do Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul da Bahia (DIS Baixo Sul), que une o Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul (Ides), os governos federal e estadual, a Associação dos Município do Baixo Sul e a Fundação Odebrecht. A produção é financiada com recursos do Banco do Nordeste, que destina R$ 8,9 mil por produtor para a implantação, mão-de-obra e adubação da lavoura.

O projeto mantém, ainda, uma Biofábrica de Plântulas de Pupunha, responsável pela produção de mudas de qualidade para venda aos produtores. “Com a biofábrica, queremos expandir a área de produção, incluindo mais agricultores”, afirma Fonseca. Para o futuro, a idéia é começar a produção orgânica. Um dos passos para a implantação desse tipo de cultivo é desenvolver a adubação a partir do refugo proveniente da Ambial, o que reduziria custo. Atualmente, de toda a produção de pupunha destinada à indústria descartam-se 40% (cascas e partes duras). “Estamos estudando o uso desse refugo em compostagem”, conclui o técnico. (J.S.)