Brasil investe mais em pescado

13/11/2007

Brasil investe mais em pescado


Desatado o nó legal que impedia a criação de pescado em águas da União, o Brasil agora quer desbravar o oceano e intensificar a busca de investimentos, por meio de parcerias internacionais, em projetos que impulsionem a expansão sustentável da atividade. Na Bahia, onde o aproveitamento dos mais de 1,2 mil quilômetros de costa ainda é muito tímido, a preparação para futuros mergulhos começou ontem com a realização do I Seminário Brasil — Reino Unido de Aqüicultura Sustentável, que acontece até amanhã no auditório da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb).

O encontro, que foi aberto pelo ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap), Altemir Gregolin, reuniu representantes do governo britânico e empresários brasileiros e estrangeiros que atuam ou pretendem atuar na área de pescados para discutir o tema.

“Nosso objetivo é fazer uma interligação entre as partes interessadas, na perspectiva da cooperação técnica, científica e comercial“, disse o ministro.

A conquista da concessão para exploração das águas marinhas e das represas das hidrelétricas, autorizada no mês passado pela Secretaria do Patrimônio da União, abre novas perspectivas para a expansão da atividade no Brasil, que tinha na proibição o principal entrave para o desenvolvimento do setor. “Hoje já temos mais 1,5 mil pedidos de concessão“, afirmou Gregolin. Pela nova legislação, os produtores que tiverem o direito de cessão de áreas, podem explorálas por um prazo de 20 anos. “Isso dá segurança aos investidores e abre um novo caminho para a produção de pescados no Brasil”.

Com algumas parcerias já firmadas com empresários brasileiros, o Reino Unido quer agora ampliar sua atuação nas águas brasileiras.

“Queremos encorajar os investimentos e fortalecer as relações comerciais com o Brasil”, frisou o cônsul geral britânico Martin Raven. O diplomata ressaltou que o seu país tem uma participação média de 4% no comércio internacional e que no Brasil é de apenas 2%. “Isso não é suficiente, precisamos crescer mais essa relação comercial.

Para isso, estamos apostando na aqüicultura”, ressaltou.

O mercado de pescado no Brasil tem experimentado perdas nos últimos anos em função do aumento dos custos e dos preços praticados no mercado externo por países asiáticos. “Estamos vivendo um período difícil em função do câmbio e dos custos de produção que reduzem a competitividade das empresas brasileiras“, revelou o presidente da Associação Brasiliera de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha.