Etanol mundial contesta ONU
Com 81% da produção de etanol do mundo, Brasil, Estados Unidos, Canadá e União Européia (UE) entregaram ontem oficialmente à Organização das Nações Unidas (ONU) uma carta contestando o relatório da organização no qual a produção de biocombustíveis é apresentada como uma catástrofe para a humanidade. O receio dos produtores mundiais de etanol é que relatórios "emocionais" como esses se proliferem e causem uma pressão da opinião pública pelo recuo dos programas mundiais de biocombustíveis, explica o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank.
No relatório da ONU é sugerida até uma "moratória" de cinco anos para a fabricação de etanol. Além da Unica, assinam a carta de contestação entidades equivalentes nos Estados Unidos (United States Renewable Fuels Association), Canadá (Canadian Renewable Fuels Association) e União Européia (European Bioethanol Fuel Association).
As entidades consideraram "apocalípticas" as declarações feitas no documento - elaborado pelo relator especial da ONU sobre Direito ao Alimento, Jean Ziegle, e apresentado em 22 de agosto - os biocombustíveis são citados como "crime contra a humanidade" e "receita para o desastre". "Nossa reação foi um pouco atrasada. Daqui em diante, a resposta será mais ágil", avisa Jank. A carta entregue à ONU visa questionar a argumentação de que os biocombustíveis levam à fome por serem responsáveis aos aumentos dos preços dos alimentos. ""O foco tem que ser o petróleo. Enquanto os preços dos alimentos subiram 3% nos últimos três anos, o do petróleo elevou-se 70%".
A iniciativa de os maiores produtores mundiais de etanol debaterem juntos o assunto também foi um marco da união por uma agenda comum. "Temos muitos interesses que divergem, como as tarifas de importação de álcool brasileiro impostas por esses países. Mas, temos questões que convergem, como a de expansão do consumo mundial de álcool ", diz Jank.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Fabiana Batista)