Rússia estuda amenizar normas sobre embargo

20/01/2006

Rússia estuda amenizar normas sobre embargo

Vanessa Jurgenfeld

A Rússia acena com a possibilidade de flexibilizar as regras de embargo para os países que registraram focos de febre aftosa. Essa foi a notícia recebida ontem pela comitiva de empresários do setor de suínos e do governo catarinense que foi a Moscou para tentar suspender o embargo às carnes de Santa Catarina, imposto após o surgimento da aftosa no Mato Grosso do Sul e a confirmação, pelo Ministério da Agricultura, de foco no Paraná.

De acordo com informações dadas à comitiva pelo embaixador brasileiro em Moscou, Carlos Augusto Rego Santos Neves, o maior importador de suínos do Brasil acena com a possibilidade de reduzir o período de embargo às carnes de dois anos para um ano no Estado que apresentou foco de aftosa, e de um ano para seis meses nos Estados vizinhos àquele que registrou a doença.

"A medida é boa para o Brasil, mas não queremos nem pensar nessa possibilidade", diz o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Wolmir de Souza. Segundo ele, no caso de Santa Catarina, maior produtor de suínos do país - com 5,7 milhões de cabeças - mesmo o prazo de seis meses seria um problema para os suinocultores, já que não há espaço para represamento de tantos animais e teria que haver redução de produção, que está crescendo atualmente.

A flexibilização do prazo de embargo, acreditam membros da comitiva, seria possível porque as exigências de dois anos ou um ano, dependendo do caso, são normas estabelecidas pela Rússia para o seu comércio internacional de carnes e não uma norma mundial estabelecida pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE).

Para o secretário de Agricultura de Santa Catarina, Moacir Sopelsa, ainda que a flexibilização seja positiva, seis meses seriam um contratempo. "Em seis meses são 350 mil toneladas de suínos catarinenses no mercado, sendo que a Rússia compra metade disso. Não há poder aquisitivo ou hábito do brasileiro para consumir essa oferta maior, e nem novos mercados internacionais já abertos", destaca.

Conforme membros da comitiva, o embaixador brasileiro deu o tom de como o governo russo estaria vendo a situação de embargo à carne brasileira. Ele teria alertado sobre o fato de tradicionalmente a Rússia não tomar uma decisão tão rápida a ponto de os empresários voltarem ao Brasil já com um acordo. E também teria comentado que a situação indefinida do Paraná teria complicado as tratativas.

A comitiva deve se reunir hoje com prefeito de Moscou, Valeri Vinogradov, e tenta encontro também com o ministro de Agricultura russo, Alexey Gordeev. Segundo Moacir Sopelsa, essa reunião ainda não estava confirmada ontem.

Após a conversa com o embaixador brasileiro, membros da comitiva ficaram mais cautelosos e preferiram não arriscar uma data sobre o fim do embargo russo.