Rotação de culturas é indicada por especialistas

19/11/2007

Rotação de culturas é indicada por especialistas

 

O produtor rural Sandro Zancanaro planta feijão irrigado para fazer rotação de culturas na lavoura, o que é recomendado por especialistas para melhor aproveitamento do solo e diminuição de pragas. O custo por hectare é avaliado em torno de R$ 2.700, contabilizando os custos com irrigação e tratos culturais.

“Nós plantamos feijão em maio e colhemos em julho, com uma média de 80 dias”, destaca Zancanaro, enfatizando que nas fazendas a saca está sendo vendida entre R$ 170 a R$ 180 e a procura é grande. “Esse ano, a colheita foi feita manualmente, mas na próxima vamos usar maquinário”, enfatiza o produtor, alegando a diminuição de custos.

Para o consultor Ivanir Maia, “o grande mérito da região do cerrado baiano é que tem condições de produzir o ano todo, permitindo oferecer o produto ao mercado no período da entressafra”. Neste aspecto, ele ressalta a grande quantidade de rios disponíveis para irrigação e a alta incidência de luminosidade nos 12 meses do ano.

Seca no Vale

 Enquanto que na safra passada o cerrado baiano no oeste do Estado (com altitude entre 700 a 800 m acima do nível do mar) teve índices pluviométricos dentro da média e uma produção recorde de 4.624.738 toneladas entre grãos e fibras, a região dos vales (com altitudes entre 420 a 450 m acima do nível do mar), na mesma região oeste, teve um índice pluviométrico cerca de 50% menor do que a média, que é em torno de 1.000 ml/ano.

Em municípios como Formosa do Rio Preto e Angical, onde os prefeitos decretaram estado de emergência, a seca afetou a produção na última safra agrícola dos vales entre 70% a 100% e as perdas na pecuária já chegam a 10% de morte e 80% com perca de peso dos animais.

Historicamente, no vale a produção é de subsistência. Na última safra, foram plantados 10 mil hectares de arroz de sequeiro, com estimativa de colher 1.500 kg por hectare, sendo colhidos, no entanto, 462 kg em média, segundo IBGE.

Com a produção reduzida na safra passada, alguns produtores não conseguiram sequer o suficiente para se alimentar, e muito menos para plantar. Visando minimizar os efeitos da estiagem e melhorar o padrão genético das culturas de vale como feijão, milho e mamona, a Secretaria Estadual de Agricultura lançou o Programa Semeando que, no total vai distribuir duas mil toneladas de sementes para 55 mil agricultores.

Na região oeste, de acordo com o gerente regional da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) Carlos Araújo, parte das sementes já está sendo entregue, totalizando 30 toneladas de milho, nove toneladas de mamona e 60 toneladas de feijão tipo viga (gurutuba).

“A intenção é beneficiar pequenos produtores de áreas de assentamentos da Reforma Agrária ou da agricultura familiar”, diz, enfatizando que as sementes devem melhorar a produtividade.

De acordo com Araújo, em cada município foram formadas comissões com representantes de diversos segmentos da comunidade, para acompanhar a distribuição das sementes e seu aproveitamento. “Até o final deste mês, toda a semente estará nas mãos dos produtores, para que possam aproveitar as primeiras chuvas e plantar”, ressalta.

Porções

 Com uma produtividade média na região de vale de 600 kg por hectare, o feijão vai ser distribuído em porções de 25 kg por produtor, o equivalente para plantar um hectare. No total, serão atingidos 243 municípios do Estado e, segundo o secretário estadual de agricultura, Geraldo Simões, “vamos dar as sementes e assistência técnica, através da EBDA, para que na próxima safra esses produtores estejam aptos para produzirem suas próprias sementes”.

De acordo com especialistas, o feijão e o arroz fazem uma combinação perfeita em termos nutricionais. Rico em amido, o arroz oferece uma boa fonte de energia para o organismo. É também rico em minerais, proteínas e vitaminas do complexo B.

Fonte de fibras e ferro, o feijão é também um dos vegetais mais ricos em proteínas, rico em lisina (pouco presente no arroz) e deficiente em aminoácidos sulfurados, como a cistina e a metionina, ambos existentes no arroz. (M.H.)