Focos de incêndio na Chapada caem em 80%

20/11/2007

Focos de incêndio na Chapada caem em 80%

 

Maior bacia em volume hídrico

Segundo Ana Paula Soares, coordenadora do Movimento Ambientalista Gavião, a região possui 94 nascentes, "muitas estratégicas para o Rio de Contas, maior bacia em volume hídrico do estado", além de conter a nascente do Rio Paramirim, um dos principais afluentes da margem direita do São Francisco na Bahia.

"O maior impacto é nas questões hídricas e de fauna e flora. Aqui, temos o macaco-barbado (o bugio), a suçuarana (ou onça-brasileira-do-cerrado), a jaguatirica, o ouriço-caixeiro, o tamanduá-mirim, cobras, sapos e outros animais", explicou.

Ana Paula disse que a cada ano as queimadas têm aumentado, "porque a pressão sobre o meio ambiente com a expansão agrícola está muito forte, e isso coloca as pessoas em risco".

Outro dia, informou a ambientalista, os brigadistas saíram daqui para combater o fogo às 20h30, para salvar algumas casas que estavam ameaçadas.

Ela afirmou que é necessário um trabalho de prevenção e educação ambiental "junto ao homem do campo", além de mais equipamentos para ações de combate aos incêndios.

Aviões e helicópteros

O coronel do 4º Batalhão de Incêndio Florestal do Distrito Federal ressaltou que os aviões utilizados para jogar água sobre os focos de incêndio são muito importantes, pois reduzem as chamas para que os homens possam se aproximar e apagar o fogo.

"Incêndio se apaga com água e precisamos desse apoio aéreo. É uma técnica utilizada em larga escala nos Estados Unidos e na Europa e que vem sendo desenvolvida há cerca de quatro anos aqui no Brasil", afirmou.

Já o helicóptero, segundo Marco Aurélio Vieira, serve para deslocar rapidamente os militares até o local do incêndio e para fazer o resgate dos homens, além de lançar água em determinados pontos.

Produção agrícola também ameaçada

 O fogo não ameaça somente a fauna e a flora. Orlando Maia, produtor da região, planta laranja, manga e café em sua propriedade de cerca de 116 hectares.

"Praticamente 95% das minhas terras estão queimadas. Eu trabalhava com irrigação por microaspersão e gotejamento, num investimento de mais de R$ 3 mil e que foi totalmente destruído pelo fogo", destacou.

Ele disse que o fogo também secou duas das três nascentes existentes em seu terreno e que a terceira está quase sem água.

O coronel Miguel Filho, comandante do 11º Grupamento da Bahia, lembrou que desde julho os bombeiros vêm combatendo pequenos focos.

Ele afirmou que conta com o reforço dos bombeiros de Brasília, encaminhados pela Secretaria Nacional da Defesa Civil, das unidades do Corpo de Bombeiros da Bahia em Jequié, Feira de Santana e Salvador, dos brigadistas locais e do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer).

"Eu nunca soube de um caso de incêndio dessa proporção. Ainda estamos fazendo um levantamento para saber o total da área que foi queimada", declarou.

O coronel disse ainda que, na maioria dos casos, os incêndios começam com queimadas provocadas por lavradores para produção de pastos e roças, mas que saem do controle.

"Para combater os incêndios causados por essas queimadas, tivemos que montar cinco bases de apoio, cada uma responsável por até 25 focos de incêndio", informou.