Pescadores solicitam apoio para atividade
Aos 59 anos, dona Maria das Dores Correia já não tem os mesmos braços fortes de antes, mas demonstra força nas palavras.
Ela vem de uma comunidade quilombola em São Francisco do Paraguaçu, na região de Cachoeira, e foi como marisqueira e pescadora que conseguiu criar os 12 filhos. Hoje, menos ativa, mas ainda na luta, vê crescerem os 15 netos. A história desta mulher mistura-se às de cerca de outros 500 trabalhadores que, desde ontem, estão alojados no Ginásio Antônio Balbino (Balbininho), pelo movimento Grito da Pesca.
São pescadores e marisqueiros que vieram à capital para comemorar amanhã o Dia Nacional de Luta da Pesca Artesanal.
Hoje, o grupo realiza um seminário para discutir a sustentabilidade da atividade na Bahia, a partir das 8h até o final da tarde, no teatro Iceia, no Barbalho. Na ocasião, um dossiê da situação pesqueira baiana deve ser entregue ao governador Jaques Wagner, que ainda não confirmou a presença.
“Estamos na luta para ajudar os nossos filhos”, diz Maria das Dores. Desde os 7 anos, ela aprendeu o ofício de pescar e catar mariscos com a mãe – experiência que traz marcada, ainda hoje, em cicatrizes nas pernas. “Eu já sofri muito. Hoje, só não sou mais feliz, porque vejo meus irmãos e amigos lutando por seus direitos e esses direitos não chegam”.
Protesto
Os integrantes do Movimento dos Pescadores da Bahia (Mopeba) chegaram ontem de diversos municípios. Pela manhã, concentraram-se na Rótula do Abacaxi, de onde saíram em passeata, por volta das 10h, em direção ao Balbininho.
Acompanhados por um carro de som, passaram pela Av. Bonocô, deixando o trânsito congestionado.
“A gente quer dialogar com o governo”, afirma uma das coordernadoras do Mopeba, Marizélia Carlos Lopes.
Os trabalhadores reivindicam investimento na pesca artesanal.
Para as comunidades que vivem da atividade, os maiores problemas são a carcinicultura (criação de camarões em viveiros), a poluição química e a construção de hidrelétricas.
“Estamos sendo ameaçados pelos grandes empreendimentos”, alerta Marizélia. O grupo planeja um ato, ainda não divulgado, para marcar o dia de luta, amanhã.
Aos 36 anos de idade e 24 de pesca, Genilson Pinheiro conta que, em Maragojipe, os moradores estão sofrendo com a diminuição da produtividade. Segundo ele, são mais de 20 mil pescadores prejudicados por uma hidrelétrica que, ao gerar energia na Barragem Pedra do Cavalo, aumenta o fluxo de água doce, levando diversas espécies a fugirem ou morrerem.
“Os governos Lula eWagner, em relação à pesca artesanal, ainda não mostraram a que vieram”.
Genilson denuncia que a especulação imobiliária e comercial tem causado desmatamento, cercamento de mangues e poluição, sem que quaisquer medidas sejam tomadas.