País deveria auditar Europa, diz CNA
O presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, defende que o governo brasileiro trate a União Européia da mesma forma que o bloco tem tratado o Brasil no que se refere à sanidade animal. Para Nogueira, o governo deveria solicitar uma auditoria do sistema de rastreabilidade do gado bovino da UE para avaliar o seu funcionamento. "Eles não exigem que [os sistemas brasileiro e o europeu] têm de ser correlatos?", argumentou. Uma missão da Europa visitou o país e não economizou exigências (ver matéria ao lado).
Reiterando sua visão de que o rigor da União Européia é na verdade protecionismo comercial, dada a competitividade da carne bovina brasileira, Nogueira disse que a auditoria européia foi "severíssima" e se mostrou pouco otimista com o resultado das inspeções. A expectativa de Nogueira é de que a União Européia não deve habilitar agora novas áreas para exportar carne bovina aos países do bloco, como alguns setores esperavam.
O representante da CNA afirmou ainda que a UE deve manter a suspensão às compras de carne bovina de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, que tiveram as vendas ao bloco proibidas após focos de febre aftosa nos dois primeiros Estados, no fim de 2005. Por fazer divisa com ambos, São Paulo também acabou sendo embargado.
Nogueira avalia, no entanto, que a UE não deve ampliar o embargo à carne bovina de outros Estados brasileiros. "Eles precisam da nossa carne", afirmou.
Ele admitiu que o mercado europeu "é importante", mas argumentou que o Brasil não pode aceitar todas as exigências. "O governo tem de se posicionar".
Segundo Nogueira, a UE é menos exigente com outros países dos quais importa carne bovina, como Argentina e Uruguai, porque estes não têm volume de oferta suficiente para afetar o mercado europeu. Já a oferta brasileira do produto "incomoda".
Algumas exigências feitas pela missão de técnicos europeus "não têm sentido", na opinião de Nogueira. Ele criticou a exigência de que os frigoríficos que exportam carne bovina para a UE só possam abater animais rastreados. Ocorre que os frigoríficos também vendem para o mercado doméstico, onde a rastreabilidade do gado não é obrigatória.
Criticou ainda a exigência dos europeus de que o sumário, documento com as informações sobre o animal destinado a abate, seja feito na propriedade, para depois ser levado à agência de defesa sanitária, que emite a Guia de Trânsito Animal (GTA). Além disso, o carregamento do lote de animais teria de ser acompanhado por um agente da defesa. Atualmente, o sumário é feito no frigorífico, com a certificadora. No modelo novo, se houver alguma inconformidade entre as informações no documento e o animal, todo o lote seria devolvido e a propriedade ficaria 90 dias sem poder fornecer bois para abate ao frigorífico exportador. A medida, segundo ele, prejudicaria os pecuaristas. (AAR)