Ministério da Agricultura e Seagri avaliam investimentos do PAC do Cacau

23/11/2007

Ministério da Agricultura e Seagri avaliam investimentos do PAC do Cacau

 

Com o objetivo de traçar um diagnóstico que fornecerá subsídios para a execução do Plano de Aceleração do Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira - PAC do Cacau - uma equipe composta por técnicos e pesquisadores no Ministério da Agricultura (MDA), Secretaria de Agricultura (Seagri), Embrapa, Ceplac e Unicamp realiza a partir da próxima terça-feira (27) uma série de visitas a propriedades rurais no Sul do Estado. O PAC será lançado, ainda este ano, pelo presidente Lula e pelo governador Jaques Wagner.

A programação, definida em conjunto pelo MDA e Seagri, consiste em áreas que cultivam cacau com alta produtividade e resistentes a doenças e são desenvolvidos projetos de diversificação agropecuária e centros de pesquisa. As primeiras visitas serão às fazendas Porto Seguro, em Itacaré, e Luz Brasileira, em Uruçuca, onde também se localiza a agroindústria Inaceres. As propriedades desenvolveram e implantaram clones de cacaueiros resistentes à vassoura-de-bruxa, doença que há 20 anos vem provocando a queda na produção.

Na quarta-feira (28), é a vez das fazendas Petolina, em Gandu, e Paineiras, em Ibirapitanga, e Independência, em Nilo Peçanha, onde novas técnicas de produção e manejo reduzem a incidência de doenças e ampliam a produtividade. No dia seguinte (29), os técnicos e pesquisadores visitarão indústrias processadoras de cacau, em Ilhéus, e o Instituto Biofábrica de Cacau, em Uruçuca, que produz clones de cacaueiros em larga escala, distribuídos para produtores de todo o Sul da Bahia, além de fruteiras e essências florestais que são distribuídas aos agricultores. 

Finalizando os trabalhos na sexta-feira (30) as atividades acontecerão na sede regional da Ceplac, na Rodovia Ilhéus-Itabuna, com a apresentação de experiências de culturas de cacau consorciadas com seringa, dendê e frutas, além de visita aos laboratórios de fertilidade de solos, fisiologia vegetal, biocontrole, fitopatologia e sistemas agroflorestais do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), que detém tecnologia de ponta em cultivos tropicais e ao Centro Tecnológico Industrial da Ceplac, que industrializa o principal produto do Sul da Bahia e fornece apoio tecnológico para a instalação de pequenas fábricas, através de cooperativas e associações.

A Ceplac é uma das instituições parceira para a concretização do PAC do Cacau, no que diz respeito a sensibilização e treinamento adequado para novas tecnologias no manejo do plantio,além de desenvolver, em parceria com a Petrobrás, um projeto piloto na área de produção de biocombustíveis, utilizando o dendê associado ao diesel, como matriz energética. 

Conservação Ambiental

O plano prevê investimentos de mais de R$ 2 bilhões, em oito anos, para a recuperação da lavoura cacaueira, equacionamento das dívidas dos produtores, incentivo à produção de dendê, pupunha, seringa, flores e frutas, agroindústria e obras de infra-estrutura. A meta do PAC do Cacau é recuperar e modernizar 150 mil hectares de cacaueiros com alta produtividade, atingir 100 mil hectares de seringueira e 100 mil hectares de dendê. “Com isso, vamos eliminar a dependência que a região tem do cacau, partindo para um projeto de diversificação que contemple cultivos economicamente viáveis”, afirma o secretário de Agricultura Geraldo Simões.  “O PAC do Cacau vai proporcionar novo ciclo de desenvolvimento para o Sul da Bahia, com um volume de investimentos capaz de colocar fim a uma crise que já dura duas décadas”, complementa o secretário, que irá acompanhar as visitas. Simões lembra ainda que a questão do cacau não é apenas econômica, mas também ambiental.

“O cultivo de cacau, que exige sombreamento, garantiu a preservação das áreas de Mata Atlântica no Sul da Bahia. Investir na retomada da produção de cacau, além de reaquecer a economia, permitirá a conservação ambiental numa das áreas de maior biodiversidade do mundo”, ressalta. O pesquisador da Unicamp Gonçalo Pereira afirma que “uma das dúvidas em relação ao novo financiamento é a efetiva existência de soluções para a vassoura-de-bruxa, já que programas anteriores, nos quais foram investidos significativos recursos se mostraram ineficientes ou mesmo prejudiciais à lavoura, redundando em redução de produção e endividamento do setor”.

Para o pesquisador, a visita às propriedades em que a doença tem sido combatida com sucesso dará ao Governo Federal a garantia para a alocação dos recursos. “Além disso, vamos visitar fazendas que não são de propriedade de grandes empresas ou centros de pesquisa. São exemplos de fazendas de produtores de médio porte, que vive exclusivamente ou predominantemente da cacauicultura, podendo ser comprovada a viabilidade econômica das técnicas adotadas”, diz. Do grupo farão parte especialistas em cacau, economia, ciências sociais e agronomia tropical, além de representantes dos Governos Estadual e Federal, com capacidade decisória. “Trata-se de uma oportunidade extraordinária para a Região Cacaueira demonstrar a sua viabilidade”, ressalta o pesquisador da Unicamp.

  
Ascom/ Seagri
Daniel Thame
22.11.07