Permacultura e agricultura familiar formam par perfeito

26/11/2007

Permacultura e agricultura familiar formam par perfeito

 

Atualmente, a agricultura familiar é responsável por 70% da produção de alimentos no Brasil e ocupa cerca de 40% da população economicamente ativa na Bahia. Entretanto, as áreas rurais do Estado concentram os menores indicadores de escolaridade, maiores índices de desnutrição infantil, maior carência de infra-estrutura básica e de acesso aos meios de comunicação – condições que acabam comprometendo a qualidade de vida de mais da metade da população baiana.
Os baixos índices de desenvolvimento no campo também estão relacionados com o uso extensivo da terra para o plantio de monoculturas de soja, cacau e eucalipto, entre outras.
A monocultura é um dos principais fatores de desequilíbrio do meio ambiente rural, devido à eliminação da biodiversidade. Queimadas e desmatamentos são outros agravantes, típicos de uma visão de mundo equivocada – a de que a natureza está a serviço do homem.
Isto vem gerando o esgotamento das terras agricultáveis e o aumento do processo de desertificação, que já ocupa a maior parte do semiaacute;r ido.
A permacultura parte de outra lógica: a da integração do homem com a natureza, seguindo o princípio da cooperação. Envolve o planejamento, a implantação e a manutenção conscientes de espaços produtivos que tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais.
O planejamento de uma propriedade rural, por exemplo, parte do aprendizado com os princípios que regem os sistemas naturais, somado à valorização da sabedoria ancestral e às modernas tecnologias de produção agroecológica.
O resultado é uma convivência harmoniosa, que permite satisfazer às necessidades humanas sem gerar impactos ambientais negativos.
É assim que a permacultura tem sido praticada tanto em nações ricas, como a Austrália e a Inglaterra, como em países pobres como o Haiti e Cuba, onde passou a ser referência para implementação de sistemas sustentáveis de produção de alimentos, captação de água, geração de energia e convivência comunitária, pois seu sistema de planejamento integra os aspectos sociais, ambientais, culturais, econômicos e espirituais.
No Brasil, o casamento da permacultura com a agricultura familiar tem gerado bons frutos, pois uma exigência da primeira é a razão de ser da segunda: o envolvimento da família com a produção de seu sustento e o desenvolvimento de sua propriedade.
É por isso que uma tecnologia simples como a policultura vem produzindo resultados tão abrangentes em termos de desenvolvimento local que já é reconhecida como tecnologia social e pode até se tornar política pública.