Cacau: missão conhece projetos
A missão do governo federal que visita o sul da Bahia em busca de subsídios para a implementação do Plano de Aceleração do Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira (PAC do Cacau) colheu, ontem, informações de dois dos mais bem-sucedidos projetos de cultivos de cacau pós-vassourade-bruxa. Numa das fazendas, a Luso Brasileira, propriedade da multinacional Mars, no município de Barro Preto, o pesquisador Edmundo Mandarino demonstrou o quanto o produtor pode ganhar alterando o manejo.
Segundo o pesquisador da Unicamp, Gonçalo Pereira, o trabalho de Mandarino é um demonstrativo da evolução de custos de produção, antes de a lavoura conseguir a lucratividade para se auto-sustentar.
Ele diz que é essa fase que o governo tem que considerar, quando liberar os recursos do PAC.
O pesquisador da Ceplac Raimundo Bonadie destaca que, se nas fazendas o cacau estiver consorciado com outra cultura, uma das recomendações do PAC, os custos de produção não aumentam.
No caso da Fazenda Luso Brasileira, o cacau está consorciado com a seringa, abacaxi e outras, que começam a produzir mais rápido e a lucratividade delas dá suporte à lavoura cacaueira.
Para o ouvidor da Embrapa, Alípio Correa Filho, o governo já sabe que existe tecnologia para se conviver bem com a vassoura-de-bruxa.
Segundo ele, o problema da lavoura cacaueira não foi apenas a vassoura-de-bruxa, que responde por 40% da crise. Os 60% restantes foram 11 anos de escassez de chuvas e dez anos de preço em baixa no mercado externo.
Integrada por representantes do Ministério da Agricultura, da Unicamp, da Ceplac e Embrapa, a missão visitou fazendas e a Fábrica da Inaceres e, hoje, prossegue com mais visitas a propriedades rurais da região. A missão volta a Brasília sexta-feira.