Interesse pelo Brasil estimula consultoria a ir para o exterior
São Paulo, 3 de Dezembro de 2007 - A busca por informações sobre o Brasil fez com que consultorias agropecuárias tivessem de criar estratégias para atender a esses clientes. Assim, algumas abriram filiais no exterior, outras formaram parceria fora e teve até aquelas que foram adquiridas por empresas estrangeiras. Investidores de outros países estão interessados em conhecer sobre o mercado de agroenergia - sucroalcooleiro, soja e milho, principalmente. Outras duas áreas também despontam: carnes e leite. Em algumas destas empresas, cerca de 30% dos clientes já são estrangeiros.
"O interesse pelo Brasil é grande, pois o País lidera em muitos setores", afirma Carlos Cogo, diretor da Cogo Consultoria Agroeconômica. A empresa inaugurou recentemente sua subsidiária no Canadá - Brazilian Agribusiness Markets - e pretende criar outro escritório, desta vez na Europa, no ano que vem. Segundo ele, os estrangeiros querem informações sobre oportunidades de investimentos e orientações sobre tendências de curto e longo prazos.
Outras consultorias também têm planos de abrir escritórios no exterior. "É uma preocupação que a gente tem para 2008, mas não tem estratégia montada", afirma Amaryllis Romano, economista da Tendências. Segundo ela, a procura por informações do agronegócio brasileiro começou há cerca de três anos e se intensificou neste. De acordo com Amaryllis, até o ano passado o maior interesse era no ramo sucroalcooleiro e, a partir deste, as carnes começaram a atrair interesses - foi justamente em 2007 que os principais frigoríficos do setor abriram capital.
"Tem muita procura de fundos de investimentos interessados em entender melhor o setor, principalmente leite", diz Marcelo Pereira de Carvalho, da Agripoint. Ele afirma que hoje a empresa atua de forma mais passiva em relação a este tipo de mercado, mas como há um tendência de interesses de agentes que não participavam do setor em saber mais sobre o País, a consultoria poderá avaliar outra forma de atendê-los. Na RC Consultores, segundo o diretor, Paulo Rabello de Castro, a procura de estrangeiros ainda é "episódica, mas que certamente irá se desenvolver". No entanto, ele diz que a empresa fará algum movimento na direção desse mercado em 2008.
Caminho inverso
Algumas consultorias estrangeiras também abriram filiais no Brasil. É o caso da AgraInforma e da FCStone. A primeira, adquiriu a FNP - que virou AgraFNP, em 2005, enquanto a segunda criou uma subsidiária brasileira.
José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP, diz que hoje, no Brasil, cerca de um terço dos clientes da consultoria são estrangeiros, em busca, principalmente, de informações sobre açúcar e álcool. Um pouco antes, a FCStone veio para o Brasil. "O potencial do mercado brasileiro em soja e em açúcar e o fato de o País ser a última fronteira agrícola foram os responsáveis pela abertura do nosso escritório, pois já atuávamos no Brasil indiretamente", afirma Gonzalo Terracini.
O diretor da Safras & Mercado, Flávio França Júnior, diz que a empresa já teve filial em Chicago (Estados Unidos), que foi desativada. Atualmente, a empresa atua com um escritório em Buenos Aires e tem parcerias fora, como por exemplo, na China. "A demanda de fora para o Brasil é grande, de fato, temos muitos clientes no exterior. Mas por enquanto não está nos planos uma outra filial", diz.
Anderson Galvão, diretor da Céleres também verifica uma procura grande de estrangeiros e até já cogitou abrir filial, mas por enquanto os planos estão "em banho-maria". Segundo ele, 2007 foi muito ativo em relação a estrangeiros. A empresa realizou análises para os Estados Unidos, Austrália, Coréia, Índia, Argentina e Portugal. Galvão diz que os estrangeiros estão muito interessados em cana-de-açúcar, biodiesel e compra de terras.
(Neila Baldi)