Açúcar brasileiro encalha no porto à espera de comprador

05/12/2007

Açúcar brasileiro encalha no porto à espera de comprador

 

São Paulo, 5 de Dezembro de 2007 - Exportadoras estão com estoques altos de açúcar no Porto de Santos à espera de compradores. E eles estão escassos, preferindo açúcar da Índia, que está mais competitivo que o do Brasil. O principal motivo da desvantagem brasileira está na alta forte dos preços do frete marítimo. Esse item não pára de subir desde março deste ano e já acumula incremento de 110% até novembro. Não há um número fechado em todo o mercado sobre o volume de açúcar encalhado no porto. Mas tradings, que normalmente comercializam 70% do volume do ano até novembro, conseguiram este ano embarcar apenas 55%. Com armazéns cheios, as exportadoras estariam pedindo às usinas que parem de enviar açúcar ao porto e destinem a moagem final da safra para produção de álcool.
O presidente da União das Destilarias do Oeste Paulista (Udop), José Carlos Toledo, afirma que essa "correção" de fato está ocorrendo nas usinas e que provavelmente resultará em uma fabricação de etanol ainda maior de álcool nesta safra, cujo mix já está mais alcooleiro em 55% da produção ante 45% para o açúcar. "Como estamos no final da safra, esse volume adicional ocorrerá, mas será pequeno de forma a não alterar as estatísticas".
Renato Gouvea, diretor de Gestão Portuária do Grupo Nova América, conta que, de fato, os armazéns das tradings de açúcar do porto de Santos ficaram cheios além do normal no mês de novembro resultado da pouca demanda pelo produto brasileiro. "Entre o final de setembro e outubro, até emprestamos parte do nosso espaço de estocagem (que totaliza 170 mil toneladas de capacidade estática) para algumas exportadoras, que estavam com armazéns lotados", relata Gouvea. Na própria exportadora da Nova América, o volume movimentado esteve abaixo do esperado. Geralmente, no mês de novembro, o Grupo já comercializou entre 65% e 70% da carga de açúcar projetada para a safra, movimento que diminuiu este ano para cerca de 55%, segundo o diretor. Ele acredita que essa crise vai perdurar até o início do segundo semestre do ano que vem, quando o Brasil sai da influência da safra indiana e volta a ser o mercado abastecedor mundial.
Além do grupo Nova América, também operam com açúcar no porto de Santos outros grupos, tais como a Cosan, a Coopersucar e a Cargill. Todas foram procuradas para falar sobre o assunto, mas, segundo as respectivas assessorias de comunicação, os executivos responsáveis não foram encontrados.
Mário Silveira, da FCStone, explica que o que ocorre é que as exportadoras "seguram" o açúcar na safra, quando os preços normalmente caem, para vender o produto na entressafra. "Mas, a Índia entrou muito forte na concorrência da exportação este ano que, aliado aos altos preços do frete marítimo do Brasil para a Ásia (Mar Negro), frustrou, pelo menos até agora, essa estratégia de Basis das tradings do Brasil", detalha Silveira.
Michael McDougall, especialista da Fimat Futures, diz que a expectativa é que a Índia exporte este ano 4 milhões de toneladas de açúcar, o dobro do ano passado, grande parte do tipo branco.
(Fabiana Batista)