Controle sanitário brasileiro é ruim, conclui UE

06/12/2007

Controle sanitário brasileiro é ruim, conclui UE

 

Um comitê científico da União Européia examinou esta semana as primeiras conclusões da missão veterinária enviada ao Brasil mês passado para avaliar o controle sanitário da carne exportada para o mercado europeu. Agora, o comissário de Saúde, Marcos Kiprianou, estuda a recomendação que fará sobre a entrada da carne brasileira. A única certeza em Bruxelas é que a UE tem em mãos conclusões "muito ruins" sobre o sistema de controle sanitário brasileiro. 
Técnicos europeus pediram dados complementares aos brasileiros com uma rapidez que surpreendeu, já que normalmente isso só ocorre muitas semanas depois de encerrada a missão. 
A UE tem prazo até o fim deste ano para apresentar ao Brasil as conclusões preliminares. Até pela importância das exportações do Brasil, maior fornecedor de carne bovina para os 27 países da UE, aumentam rumores e pressões para Bruxelas ser dura com o produto brasileiro. 
Segundo fontes em Bruxelas, a UE examina se "convoca" autoridades competentes do Ministérios da Agricultura antes do Natal para discutir as deficiências encontradas no sistema de controle sanitário. Seria boa notícia: significa que a UE não aplicaria de imediato medidas contra o país. 
A porta-voz de Kiprianou, porém, não confirma uma eventual reunião com os brasileiros. 
Por sua vez, os produtores irlandeses aumentam a pressão. William Taylor, diretor de uma associação chamada Fairness for Farmers in Europe (FFA), disse ter recebido informações de que a missão teria constatado problemas tão sérios no Brasil que o próprio Ministério da Agricultura teria proposto restringir exportações para evitar uma ação mais dura de Bruxelas. Fontes brasileiras não confirmaram os rumores. Mas o governo brasileiro pode, de fato, restringir exportações, porque é ele quem habilita ou desabilita frigoríficos para exportar. 
"Os brasileiros estão vendendo carne com preço até 200% mais baixo porque produzem em condições que nós aqui não podemos produzir", reclamou Taylor. 
Antes de retornar a Bruxelas, num reunião técnica sobre o Sisbov, a missão européia teria considerado "um desastre" a operacionalização do novo sistema. Constatou "inconformidades" em grandes confinamentos de bois de São Paulo e Goiás.