Pomares de laranja começam a se espalhar para outros estados

06/12/2007

Pomares de laranja começam a se espalhar para outros estados

 

São Paulo, 6 de Dezembro de 2007 - Maior exportador de suco de laranja do mundo, o Brasil vai estender sua produção de laranja e suco para fora do estado de São Paulo. A estratégia foi anunciada oficialmente ontem pelo presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia, e traz estampada o plano das indústrias de manterem liderança no mercado global de suco de laranja, sobretudo frente à anunciada intenção da China de ser um grande player nesse setor. Nas entrelinhas, o anúncio é feito em um contexto de disputa entre citricultores paulistas e indústrias que, já há muitas safras convergem na definição de preços da matéria-prima, celeuma que foi parar nas escrivanias do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sob denúncia de cartel por parte das indústrias.
Mas o fato é que a produção de laranja em São Paulo não vem sendo suficiente para atender a demanda (atual e futura) da indústria, que trabalha com ociosidade média no ano de 30%. "Em São Paulo temos terras mais caras. Crescer também fora do estado é estratégico para mantermos liderança mundial da exportação de suco de laranja", explica Garcia.Para o presidente da Agra-FNP, Maurício Mendes, do ponto de vista diluição de riscos, sobretudo os sanitários, com o greening - doença que atinge 39% dos pomares de São Paulo, segundo a Abecitrus - a ramificação para outros estados é uma boa estratégia.
E esse movimento já começou. Processadoras de laranja em Sergipe, Bahia, Paraná e Santa Catarina foram alvo de aquisições, arrendamentos e parcerias há um ou dois anos pelos grandes players do setor em São Paulo e, neste ano, esses estados devem exportar 100 mil toneladas de suco, 7% dos 1,4 milhão de toneladas previstos em todo, segundo Garcia. O volume comercializado por esses estados é 40% maior que o realizado em 2006 e a tendência é de crescimento.
O produto segue por via rodoviária até o porto de Santos (SP), onde embarca nos navios graneleiros ao mercado externo. "As distâncias são cinco vezes maiores e, certamente, há um custo adicional de transporte. Mas, crescer fora de São Paulo é estratégico ao setor. Não podemos correr o risco de perder participação global", diz Garcia.
São Paulo ainda responde por 93% da produção nacional de laranja e suco e, para Mendes, da Agra-FNP, ainda há espaço para mais expansões. "A citricultura tecnificada é competitiva em São Paulo e concorre com outras culturas, tais como a cana-de-açúcar, que foi grande tomador das terras de laranja no estado, mas avançando sobre pomares que tinham menor tecnificação e menor margem no negócio", considera Mendes.
O Brasil tem hoje 52 processadoras de laranja, das quais, até agora, cinco exportam suco, todas localizadas em São Paulo. Em 2007, a exportação desse item deve render US$ 2,3 bilhões, 57% mais que em 2006, para um volume 7,6% maior, segundo a Abecitrus.
(Fabiana Batista)