Venda de máquinas agrícolas vai repetir em 2008 o recorde de 2004
São Paulo, 7 de Dezembro de 2007 - A alta nos preços das commodities agrícolas contribui para que a indústria de máquinas agrícolas instalada no Brasil tivesse uma grata surpresa em 2007. Além de crescimento nas vendas no mercado interno, o setor também comemora avanço nas exportações, operação que vinha tirando o sono do setor por causa do câmbio valorizado. Entre janeiro e novembro deste ano, as vendas ao exterior aumentaram 22% e a receita avançou, mesmo que apenas 2%.
Foram 25 mil máquinas até novembro, ante as 20,4 de igual período de 2006. A receita saiu de US$ 11 bilhões para US$ 11,9 bilhões. "Investimos na venda de máquinas de mais tecnologia, portanto, maior valor agregado, e os importadores, mais capitalizados com os melhores preços das commodities, responderam positivamente a nossa estratégia. Mas, nos últimos anos a margem ficou muito apertada para exportação, e em alguns momentos e produtos, ficou até negativa", conta Gilberto Zago, vice-presidente da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea).
No mercado interno, o setor iniciou o ano com estimativas de crescimento tímido, na cada dos 10%, fechou até novembro com 48,4% de expansão e espera encerrar o ano com a venda de 37 mil máquinas, crescimento de 44%. "Nos surpreendemos com a rapidez da recuperação da agricultura", confessa Zago.
Mas é para 2008 que a indústria espera consolidar essa retomada. A perspectiva é de que a venda atinja algo em torno de 69 mil máquinas (mercados interno e externo), praticamente igual ao recorde de vendas de 2004, quando a indústria vendeu 69,5 mil unidades no Brasil e no exterior.
Somente no mercado interno, segundo Zago, a comercialização deve ser de 42,5 mil máquinas, 15% de crescimento em relação ao fechamento previsto de 2007. "Devem sustentar esse crescimento os setores de agroenergia - alavancado pela forte mecanização da colheita de cana - e pela recuperação do Centro-Oeste", diz Zago, que acrescenta ainda o fortalecimento de outros mercados, como o de agricultura familiar.
Apesar da crise pontual de preços neste ano no setor sucroalcooleiro, Zago aposta em vendas grandes de colheitadeiras de cana, cuja aquisição faz parte estrutural dos novos projetos de usinas. "Quando se planeja uma nova usina no Brasil, já se prevê investimentos para a planta industrial, mas também para área agrícola e sua conseqüente mecanização", pondera Zago. Assim, somente de colheitadeiras para cana-de-açúcar, as vendas devem atingir 800 unidades em 2008. "Não sabemos exatamente quantas foram comercializadas em 2007, porque, até então não tínhamos estatística. Mas, certamente, é um crescimento expressivo".
Grãos
Em 2007, foram as regiões Sul e Sudeste que as responsáveis pelo positivo desempenho do setor de máquinas. Mas, para 2008, Zago espera que o Centro-Oeste volte a participar mais fortemente. "Estamos vendo que a capacidade de recuperação dessa região - que é prejudicado pela pior logística do País - é muito grande. Eles estão agregando valor aos grãos, com biodiesel, por exemplo, e com carnes, e virão com toda a força daqui em diante", disse Zago.