Produtor perde renda após ano difícil
Saldo de US$ 8,9 milhões do setor leiteiro em 2005 foi menor do que o registrado no ano anterior
Mesmo com um saldo positivo, o ano de 2005 fechou negativo para os produtores de leite, cujo setor teve um desempenho inferior a 2004. Exportações de US$ 130,09 milhões e importações de US$ 121,19 milhões geraram um saldo comercial de US$ 8,9 milhões entre janeiro e dezembro do ano passado. Em 2004, o superávit foi de US$ 11,5 milhões. “O ano de 2005 foi de muitas expectativas, com queda brutal de preços e de pouco resultado para o produtor”, avalia o presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNPL/CNA), Rodrigo Alvim, que está preocupado com evolução do cenário para 2006.
Até o início de fevereiro, deverá estar concluído o esboço de um programa para promover o aumento do consumo interno de lácteos, elaborado por um grupo temático da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Conselho do Agronegócio (Consagro).
A perda de remuneração do produtor está diretamente ligada à variação cambial. A sobrevalorização do real representa perda de competitividade para os produtos nacionais no mercado externo, pois estes ficam mais caros, quando cotados em moeda estrangeira. Em dezembro de 2004, a cotação do dólar era de R$ 2,71.
Na maior parte do ano de 2005, o real esteve valorizado, chegando em dezembro a R$ 2,28. A necessidade de reduzir custos para continuar com as exportações, aliada ao crescimento da produção, provocou queda substancial dos preços ao produtor no segundo semestre do ano passado.
DESESTÍMULO – Os baixos preços pagos pelo leite estão gerando desestímulo ao produtor. Enquanto, em junho do ano passado, o preço pago ao produtor foi de R$ 0,59 por litro, em dezembro o preço fechou em R$ 0,42 por litro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq) da Universidade de São Paulo. “Como continuar de forma competitiva na atividade, com preços achatados e com o consumo per capita estagnado?”, questiona Alvim.
Além das exportações, outra alternativa para reduzir a perda de renda do produtor é estimular o crescimento do consumo interno, abaixo do valor indicado pelo Guia Alimentar Brasileiro, do Ministério da Saúde. A recomendação, por habitante, é de um consumo de, no mínimo, 200 litros por ano. O consumo per capita no País está em torno 130 litros e permanece praticamente inalterado desde a implantação do Plano Real, em 1994.
No entanto, a produção brasileira de leite cresceu nesse período, passando de 16,5 bilhões de litros em 1994 para mais de 25 bilhões de litros em 2005. Há, segundo o presidente da CNPL, uma demanda reprimida, aliada ao fato que outros tipos de bebida, como, por exemplo, sucos prontos e bebidas à base de soja, ampliaram sua participação no mercado doméstico. Ele lembra que alguns programas governamentais vão contribuir para aumentar o consumo do produto como o “Minas Leite” do governo de MG que prevê a entrega de 100 mil litros por dia para 400 mil crianças da rede pública de ensino.