Criação substitui plantio de milho no sudoeste

30/01/2006

Criação substitui plantio de milho no sudoeste

Com 90% das plantações perdidas por causa da estiagem que castiga a região, agricultores estão desistindo da cultura e buscando outras alternativas

Juscelino Souza

 

VITÓRIA DA CONQUISTA (DA SUCURSAL SUDOESTE) – A região da caatinga, que compreende mais de 200 localidades no entorno de Vitória da Conquista, completa uma década de lavouras de milho prejudicadas por causa da seca. Este ano não foi diferente, com 90% das plantações perdidas.

Ao contrário da maioria dos lavradores nordestinos, que geralmente desistem da lavoura após três quebras de safra consecutivas, o sertanejo encravado na região de Conquista mostra resistência, mas muitos já pensam em desistir. É o caso, por exemplo, de Everaldino Brito dos Anjos, que abandonou a plantação de milho para criar cabras e porcos. “Não agüento mais”, desabafa.

Foram 15 anos de tentativas, dez das quais frustradas. “A gente não possui recursos para tocar a roça sozinho, o banco não empresta para os pequenos e ninguém tem financiamento para milho aqui no sudoeste”, lista o lavrador.

Da roça esturricada, só lembranças dos antigos milharais. Agora quem garante a renda são os pequenos animais de criação e a tendência é um crescimento a curto prazo dessa atividade alternativa, como observa o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conquista, Érico Soares.

“Se não fosse a região da mata, onde também se planta café, não existia mais milho aqui para a gente. Embora a caatinga responda pela maior produção, com duas safras por ano, é na mata, que só tem uma safra anual, que o milho é mais vigoroso”, sustenta Soares, creditando à seca, falta de recursos e ataque de lagartas o insucesso dessa lavoura. Em localidades como Lagoa de Maria de Clemência, a 18 km de Conquista, e no Saguim, a 12 km, a praga deixou milharais sem folhas.

Na localidade de Saguim, dos 120 produtores que apostaram no milho, somente um deles, Edmundo Oliveira, está feliz. Foi o único a produzir espigas este ano – depois de 90 dias de espera. “Eu tive sorte de ter água à vontade para irrigar essa área”, diz Oliveira.

O irmão dele, Hélio Oliveira, com um hectare plantado a poucos metros dali, ainda sonha com um milharal idêntico, mas as esperanças diminuem a cada dia. “Plantei na mesma época que Edmundo, mas meu milho não alcançou nem a metade do dele. Se não fosse a falta de chuva, os pés de milho já estariam maior que eu”, compara.

PLANTIO – O milho é considerado, muitas vezes, o cereal de maior importância em qualquer fazenda ou sítio, pois é um dos melhores alimentos para todos os animais, além de ser um bom produto para comercialização nos mercados interno e externo. Pode ser utilizado puro ou como parte de rações na alimentação animal.

Também é de grande valia para a alimentação humana, podendo ser consumido como milho verde, vendido para a preparação de pamonha, curau etc. Depois de moído, transforma-se em fubá, com o qual pode-se fazer angu ou polenta, broas e bolos.

Cultura permite duas colheitas ao ano

O milho pode ser plantado desde agosto até janeiro e pode-se obter duas colheitas por ano, da seguinte maneira: quando se colhe o feijão das águas, em novembro ou dezembro, planta-se milho no seu lugar, para ser colhido em abril ou maio. Colhido o milho, pode-se plantar o feijão da seca e retornar ao milho após a sua colheita, fazendo, assim, uma rotação de culturas.

A plantação deve ser em solos bem drenados, para evitar poças d’água, férteis ou bem adubados com 20 toneladas/hectare de esterco ou compostos bem curtidos. Pode-se usar, também, adubos minerais, o que em geral é dispensável. Deve ser plantado em linhas ou sulcos distanciados de 1 metro e colocada uma semente de 20 em 20 centímetros, cobrindo-as depois com 5 centímetros cúbicos de terra ou em covas distanciadas um metro. Os tratos culturais se resumem em capinas, quando necessário.

Curvas de nível – O preparo do solo é feito com aração com 20 centímetros de profundidade e depois gradeação, para quebrar os torrões e nivelar para os trabalhos. Deve ser plantado em curvas de nível, quando o terreno for em declive. O plantio pode ser manual, com enxadas ou plantadeiras, e em covas distanciadas um metro entre as linhas e 50 centímetros entre as covas com três sementes cada uma, ou com plantadeiras, com sementes de 20 em 20 centímetros.

Quando usado o adubo mineral, as sementes não devem ficar junto a ele, ao serem plantadas, para evitar que se queimem. Em grandes áreas, a plantação deve ser totalmente mecanizada.