Governo descarta paralisação

12/12/2007

Governo descarta paralisação

Se o governo desistisse do projeto da Transposição do São Francisco, mais de R$ 550 milhões que já foram ou estão sendo investidos iriam imediatamente pelo ralo. Só em contratos de gerenciamento, todos os projetos executivos e de supervisão (estes, com 70% já prontos), o governo já gastou R$ 490 milhões. Além disso, já foram liberados R$ 14,5 milhões para a Funasa construir 642 casas para índios e quilombolas. Outros R$ 15 milhões (de R$ 60 milhões previstos) foram pagos para indenizar proprietários de terras nas áreas em que os canais vão passar.
Além disso, seriam abandonadas as ações de engenheiros florestais, biólogos e arqueólogos que trabalham na área, sem contar que os canais de aproximação que o Exército está construindo (2,2 km no eixo-norte e 5,2 km no eixo-leste), com os respectivos reservatórios das duas primeiras estações de bombeamento (de nove previstas nos dois eixos) virariam ruínas antes da conclusão.
Outros R$ 365,4 milhões alocados dentro do Programa de Aceleração Econômica (PAC) para bancar 104 projetos de esgotamento sanitário em municípios situados na calha do São Francisco (18 na Bahia, – Abaré, Botuporã, Campo Formoso, Gentio do Ouro, Glória, Ipupiara, Ituaguaçu da Bahia, Macururé, Ourolândia, Paramirim, Paratinga, Rio do Pires, Rodelas, São Félix do Coribe, Serra do Ramalho, Sítio do Mato, Tanque Novo e Umburanas, já com editais lançados), cujas licitações estão em andamento, voltariam para os cofres do tesouro por falta de destinação.

Não pára

 “Parar, nem pensar. O projeto vai beneficiar 12 milhões de nordestinos. E o bispo não abre margem para conversar, só aceita a imposição da vontade dele. Tomou uma atitude fundamentalista, morrer para tentar nos imputar a culpa. A questão não é do governo. É da CNBB”, disse nesta terça-feira, 11, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, assinalando que a determinação do presidente Lula é inaugurar o eixo-norte até o final do governo e deixar o eixo-leste numa condição irreversível.
A decisão judicial que determinou a paralisação parcial dos projetos, segundo Geddel, não é problema. “Decisão judicial a gente acata, e recorre”. Ainda esta semana ele deverá divulgar o vencedor do primeiro (eixo-leste) dos 14 lotes previstos na obra. O valor é de R$ 270 milhões. Concorrem os consórcios liderados respectivamente pelas empresas Carioca e Encalço e a Norberto Odebrecht isoladamente. Geddel disse que a licitação só não foi consumada porque as empresas brigam entre si e recorrem a justiça, mas que já há uma decisão judicial pondo um fim na pendenga. A próxima licitação será do lote 9, no eixo-norte.