União Européia faz Sadia rever investimento bovino

13/12/2007

União Européia faz Sadia rever investimento bovino

 

A perspectiva de aperto ao cerco da União Européia à carne bovina brasileira fez a Sadia rever seus investimentos. A decisão da construção da nova planta frigorífica da empresa foi adiada por pelo menos 30 dias no aguardo de mudanças nas exigências européias. Fontes da própria Sadia acreditam que, por pressão de ingleses e irlandeses, as restrições do bloco serão maiores. A empresa vai implantar uma unidade de abate de bovinos em Mato Grosso ou Goiás, avaliada em R$ 100 milhões, com capacidade de abate de 2 mil animais por dia.

O presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni, diz a que nova regra, por exigência da União Européia (ver matéria abaixo), restringe o raio de compra dos animais. A empresa avaliou duas áreas em Goiás e outra em Mato Grosso e, por questões sanitárias, há quem aposte em uma unidade goiana. "Já estamos preocupados vamos conseguir abater os dois mil bovinos por dia", diz - referindo-se à unidade de Várzea Grande (MT).

Enquanto aguarda as questões sanitárias para avançar seus investimentos no País, a Sadia vai atrás de novas oportunidades no exterior. O presidente do Conselho de Administração da Sadia, Walter Fontana Filho, diz que a idéia é se tornar uma empresa global. Serão aplicados R$ 100 milhões nos Emirados Árabes e, no ano seguinte, valor igual em uma fábrica na Ásia. Recentemente a Sadia inaugurou uma unidade na Rússia. "Para termos uma marca global não adianta só exportar, é preciso também produzir globalmente", diz.

No próximo ano a Sadia prevê investir R$ 1,6 bilhão, com perspectiva de crescimento real de 12%. Os recursos serão aplicados na construção do complexo de Lucas do Rio Verde (MT), na unidade de Vitória de Santo Antão (PE), no exterior, entre outros projetos. Fontana descarta grandes aquisições ou a entrada no segmento de lácteos, como a rival (Perdigão). "Vamos nos manter o foco no nosso negócio e na internacionalização", disse. Já o presidente da empresa acrescentou que a Sadia só atua onde pode ser líder e que há muita oportunidade no seu setor, sem a necessidade de diversificação. Em 2007 a empresa investiu R$ 1 bilhão e prevê encerrar com crescimento de 12% a 14%.