Com quebra de safra, algodão tem forte alta
Em menos de um mês, produto subiu 23%
Renato Stancato
A confirmação de que haverá uma forte queda no plantio de algodão este ano é responsável pela alta das cotações do produto no mercado brasileiro. A avaliação é da consultoria Agroconsult, de Florianópolis (SC). A empresa trabalha com redução de 30% no plantio, em comparação com a safra passada. Dados da Conab apontam que o plantio em 2004/2005 foi de 1,179 milhão de hectares.
As cotações do algodão tiveram forte alta em janeiro. No período entre o dia 2 e o dia 27, última sexta-feira do mês, o índice Esalq, que aponta o valor do produto no mercado atacado, subiu 23%. Na última sexta-feira, o algodão era cotado em R$ 1,4155 por libra-peso, o equivalente a R$ 46,80 por arroba.
Segundo o presidente da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), João Luiz Pessa, o Estado, maior produtor do Brasil, deve plantar apenas 330 mil hectares este ano, ante 445 mil hectares do ano passado. "O plantio da safra principal já acabou e ficou em 265 mil hectares", diz Pessa. "O plantio da safrinha (parte do algodão em áreas colhidas de soja precoce) está sendo semeado e não deve passar de 65 mil hectares."
Em termos nacionais, a Agroconsult acredita que a produção de algodão deverá cair para 1 milhão de toneladas esta safra. No ano passado, o Brasil produziu 1,298 milhão de toneladas. Como resultado, os estoques finais ao fim da safra 2005/2006 devem ficar em apenas 155 mil toneladas, ante 288.500 toneladas da safra 2004/2005. Como o consumo da fibra é estimado em 945 mil toneladas este ano, a perspectiva é a de que o abastecimento apertado leve o Brasil a aumentar suas importações.
MUDANÇA DE CÁLCULO
É diante deste cenário que a Agroconsult observa que está em curso uma alteração na formação de preços do algodão. No ano passado, a cotação era definida pela paridade com a exportação, isto é, pelo preço que o algodão teria que alcançar no mercado brasileiro para tornar viável sua venda no mercado externo. Mas, este ano, o atacado deverá ser regulado pela paridade com a importação, isto é, pelo valor que precisaria ser desembolsado para trazer para o Brasil algodão produzido em outros países. A mudança é decorrente da relativa escassez de oferta no País.
E essas importações já começam a ser realizadas. A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) já registrou a contratação de lotes de algodão dos EUA, Paraguai e África Ocidental para a indústria brasileira. Os volumes ainda são pouco expressivos, mas a expectativa do mercado é a de que mais negócios do gênero sejam selados nos próximos dias.