UE amplia restrições contra carne brasileira

20/12/2007

UE amplia restrições contra carne brasileira

 

Alegando a existência de “sérias e repetidas deficiências” sanitárias, a União Européia aprovou ontem a ampliação das restrições à importação de carne bovina brasileira. Em comunicado divulgado em Bruxelas, a Comissão Européia informou que as medidas entrarão em vigor no dia 31 de janeiro e são resultado de problemas detectados na inspeção feita pelos veterinários do bloco no Brasil no mês passado. Apenas 300 fazendas certificadas poderão exportar.

De acordo com a decisão, a carne brasileira só será aprovada para importação dos 27 países da UE de uma lista restrita de fazendas que estão “em completa linha” com os requerimentos do bloco. O gado proveniente dessas fazendas deverá permanecer pelo menos 90 dias nos Estados aprovados pela UE antes do embarque e no mínimo 40 dias antes do abate em locais autorizados.
As novas medidas ampliam as restrições que estavam em vigor.

Para aprovar a importação da carne brasileira, a Comissão Européia já exigia que os animais permanecessem pelo menos 90 dias em um Estado em que não há focos de aftosa, aantes do embarque. Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo estão proibidos de exportar carne bovina à UE desde 2005 devido a casos de aftosa.

A lista de fazendas certificadas, segundo o comunicado da UE, será estabelecido “com base na informação a ser comunicada pelas autoridades competentes no Brasil”. Uma nova visita dos veterinários do bloco também foi anunciada, para constatar se as exigências sanitárias estão sendo cumpridas.A comissão esclareceu que os carregamentos de carne desossada e maturada certificados antes da entrada em vigor da nova decisão poderão ser importadas pelos países do bloco até 15 de março de 2008. Especialistas da UE estiveram em novembro no Brasil atendendo a queixas de pecuaristas do bloco sobre padrões sanitários supostamente abaixo dos exigidos. Segundo o relatório, foram detectadas “sérias e repetidas deficiências na saúde animal e nos sistemas de rastreamento”.

MINISTRO – O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem, por meio de nota, que as restrições impostas pela União Européia para compra de carne brasileira não trarão prejuízos para o País ou para a exportação do setor. Apesar disso, ele lamentou a decisão. “A carne brasileira é de ótima qualidade e a restrição não tem caráter sanitário”, afirmou Stephanes.

Segundo o ministro, o Ministério da Agricultura fará uma lista com as fazendas que atendem às regras do sistema de rastreabilidade, o chamado Sisbov. Segundo ele, são cerca de 10 mil fazendas – no entanto, na última inspeção no País, a UE verificou que apenas 300 atendiam às regras necessárias.