CNA: O melhor é não exportar

20/12/2007

CNA: O melhor é não exportar

 

O presidente do Fórum Nacional da Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira, disse ontem que o melhor é “não exportar” caso o governo brasileiro tenha de escolher apenas 300 fazendas certificadas que poderão atender ao mercado da União Européia.

“Não há como separar 300 fazendas”, disse. “É inviável. Se forem só 300 fazendas, o melhor é não exportar”, disse ele, de Paris, onde acompanha, a partir de hoje a reunião da Organização Mundial de Saúde Animal. Segundo o pecuarista, a região considerada apta para a exportação possui cerca de 3 mil propriedades produtoras.

Nogueira explicou que esse foi o número de fazendas nas quais foram utilizados sistemas de rastreamento de bovinos, o mesmo que não passou na avaliação da União Européia. Caso seja confirmado o número de apenas 300 propriedades exportadoras, isso significará, segundo Antenor, uma grande perda de volumes de exportação.

O pecuarista disse que o governo brasileiro deverá apresentar a lista de fornecedores enquadrados nas condições fitossanitárias impostas pela UE até o fim de janeiro.
“Pode não ser os 3 mil produtores.
O governo precisará verificar quem tem condições para exportar, mas também não podem ser só 300”, afirmou. Ele disse que o setor da pecuária aguarda, por parte do governo, a liberação de uma força-tarefa que será responsável por auditar as propriedades até o dia 31 de janeiro.

Sergio De Zen, especialista em pecuária de corte e pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, disse que a medida imposta pela UE “não irá funcionar”.

“O Brasil atende a parte importante do mercado europeu.

Quem irá atender?”, indaga. Segundo ele, a decisão, embora seja embasada num problema real de controle fitossanitário brasileiro, faz parte da pressão de produtores europeus.