Processamento na África é bem diferente
Na maioria dos países das Américas, o principal consumo da mandioca é sob a forma fresca, à exceção do Brasil, que apresenta a farinha de mesa o seu principal produto.
“Muitos não conhecem a forma de aproveitamento da mandioca.
Uma delas é a confecção do beiju aproveitando a fécula. Eles também conheceram os beijus enriquecidos com frutas, verduras e hortaliças.
O beiju deixa de ser branco e adquire cor e sabor agregado ao valor nutritivo”, explica o pesquisador Joselito Motta, da Embrapa.
Pedro Bernardo dos Santos, agrônomo de Guiné-Bissau, lamenta que seu país ainda não tenha conhecimento sobre o processamento da mandioca e como melhor aproveitar o produto, que não apenas na forma “in natura”. “Ainda não estamos organizados para ter uma indústria de transformação da mandioca. Lá é só para o consumo e a exportação é para países como o Senegal. O Brasil está mais avançado”, admite.
A mandioca doce é muito consumida em Angola. “Usada como pão. Cozida e misturada com abacate, que faz o papel de manteiga, e o amendoim, o recheio. É um prato típico”, diz o agrônomo Joaquim P e d ro .
Carlos Granadeiro é agrônomo do Timor Leste, localizado na parte oriental da ilha de Timor, no extremo sudeste da Ásia, é um dos países mais jovens e pobres do planeta.
Tem 924.642 habitantes e quase a metade é analfabeta, e 76% da população vive nas zonas rurais.
Granadeiro diz que a raiz da mandioca é muito consumida como alimento no Timor. “O Timor é um País muito pobre e começamos a independência há sete anos. É por este motivo que estamos realizando essa série de encontros com a intenção de obter conhecimentos sobre o processamento”.
INDÚSTRIA – De acordo com o pesquisador da Embrapa Joselito Mota, no campo industrial, a mandioca já é utilizada em tintas, colas e papéis através de um processo físico de modificação da goma; alterando a cadeia molecular, os amidos modificados são inseridos em mostarda, ketchup; a fécula como espessante em pasta de dente, embutidos, sorvetes etc. (CSP)