2007 termina com bons resultados, apesar da discórdia
O ano de 2007 termina com saldo relativamente positivo para a CTNbio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), é o que afirma Alda Lerayer, Diretora Executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Foram três aprovações comerciais para o milho transgênico - o maior número de deliberações desde a criação da organização em 1995 - que só não se concretizaram pelo efeito de uma liminar da Justiça do Paraná emitida pela juíza Pepita Durski Tramontini Mazini, representante do Ministério Público.
Os OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) aprovados foram o LL da Bayer, o Mon 810 da Monsanto e o BT11 da Syngenta. A tecnologia é polêmica e caminha contra um mercado de defensivos agrícolas que movimenta R$ 7,7 bilhões de dólares por ano.
Para Lerayer, o principal problema é a desinformação, o que contribui para o erro de interpretação sobre o assunto. Para ela, "os argumentos contra os transgênicos são infundados e não possuem base científica publicadas em meios de comunicação com credibilidade".
Já o advogado especializado em biossegurança e ex-consultor da CTNbio, Reginaldo Minaré, vai um além e explica que a juíza pode ter se equivocado em sustentar a liminar. "Em um primeiro momento a juíza agiu corretamente exigindo regras para o monitoramento e coexistência das lavouras durante o plantio. Masnão havia a necessidade de manter a decisão."
E esse preconceito é apontado por Walter Colli, presidente da CTNbio, como o principal motivo para o abalo da instituição em 2007. "Muitos membros do conselho já estão cansados das agressões verbais que recebem durante as reuniões. São pessoas honestas e íntegras que acabam perdendo a vontade em continuar participando do projeto". Segundo Colli, fatos como a demora na aprovação dos processos e os vetos à comercialização das OGMs só agravam a situação. "Os produtores sabem o quanto podem economizar com os transgênicos e isso só estimula o mercado clandestino", avisa.
De acordo com o estudo divulgado pela Céleres, com base no perfil de países como Argentina e Estados Unidos, que já utilizam as semente GM, nos últimos dez anos o Brasil poderia ter sido beneficiado com US$ 4,6 bilhões com a adoção das sementes. A pesquisa aponta crescimento de soja GM em relação à convencional que entre a safra de 2004/2005 e a de 2006/2007 aumentou 6,0 milhões de hectares, totalizando 11,7 milhões de hectares na última campanha, o que coloca o país em terceiro lugar na utilização da biotecnologia, de acordo com o último relatório ISAAA, 2006.
Em nota divulgada a esse jornal, o diretor de Comunicação da Monsanto, Lúcio Mocsányi, explica que as decisões da CTNbio em prol dos transgênicos mostra a maturidade dos pesquisadores. "É um grupo ciente de que a abertura a biotecnologia é um caminho a ser seguido".
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Roberto Tenório)