A agricultura urbana promove uma cidade mais produtiva

02/01/2008

A agricultura urbana promove uma cidade mais produtiva

 

Coordenadora da pesquisa sobre a agricultura urbana e periurbanada da Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas, encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Ivana acredita que o desafio para a Bahia e o Brasil é transformar as iniciativas de agricultura urbana, que é uma realidade em nosso país, em política pública.

Em entrevista ao repórter JAIR FERNANDES MELO, a coordenadora conta como é possível estimular o projeto nas cidades.

A TARDE | Na pesquisa, o que notaram de peculiar no contexto soteropolitano e baiano? IVANA CRISTINA LOVO | Primeiro, encontramos uma diversidade de iniciativas da sociedade civil tanto em áreas urbanas quanto periurbanas, algumas com mais de 30 anos, como as Ervateiras do Outeiro.

Observa-se algum apoio financeiro do poder público local e ou nacional e mesmo de empresas locais, mas, a maioria se mantém pelo esforço de seus próprios componentes.

Além disso, percebemos as condições de produção de algumas iniciativas em áreas de influência da atividade industrial, com risco de contaminação por resíduos industriais mal-acondicionados ou não tratados. Essa preocupação foi incluída no documento final da pesquisa que entregamos ao MDS e à FAO.

AT | Quais são os trabalhos de agricultura urbana e periurbana realizados na Bahia? ICL | Identificamos17iniciativas.

Destas, 11 estão localizadas no município de Salvador e seis da RegiãoMetropolitana (Camaçari, Simões Filho e Ilha de Vera Cruz). São 16 atividades de produção vegetal, três de produção animal, um de produção de insumos; 13, atém de produzirem, também comercializam, oito fazem algum tipo de transformação e 12 prestam algum tipo de serviço, como formação e capacitação.

AT | Onde a agricultura urbana e periurbana é mais forte no País? ICL | As regiões Norte e Nordeste têm a presença forte das práticas agroextrativistas de frutos, ervas medicinais, peixes; nas regiões Sul e Sudeste, os agricultores estão mais organizados e há um maior envolvimento do poder público local promovendo agricultura urbana.

Na região Centro-oeste, uma forte atividade em áreas periurbanão nas e com uma opção pela produção agroecológica/orgânica.

AT | Qual a importância da agricultura urbana e periurbana no contexto brasileiro? ICL | O conceito de agricultura urbana com o qual trabalhamos periurbanão se restringe à produção em hortas. E, considerando a diversidade de possibilidades dentro da agricultura urbana e periurbana, encontramos uma multiplicidade de funções relacionadas com o meio ambiente, como reciclagem de resíduos orgânicos ou não, a possibilidade de enverdecimento das cidades, a melhor utilização de áreas urbanas possibilitando uma melhor gestão do espaço urbano.

AT | O que mais pode ser feito, além de hortas? ICL | Temos também atividades geradoras de trabalho e renda e outras que podem propiciar alimentos de qualidade a baixo custos, possibilitando acesso mais fácil a uma diversidade de alimentos que hoje não são constante na dieta de muitos brasileiros, como frutas, verduras, legumes e proteína animal.

A agricultura urbana promove uma cidade produtiva, ecológica e que respeita as diversidades.

“O conceito de agricultura urbana não se restringe à produção de hortas”