Cai o preço do leite após alta de 54,2%

02/01/2008

Cai o preço do leite após alta de 54,2%

 

Depois de quase chegar a R$ 0,80 em agosto, o preço do litro do leite ao produtor não pára de cair. A queda mantém-se contínua nos três últimos meses. Mesmo assim, o saldo geral para os produtores em 2007 é considerado positivo e termina com receita 28% superior à média de 2006. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, a média nacional pesquisada em sete estados caiu 2% nos últimos dois meses, de R$ 0,6946/litro em novembro para R$ 0,6803/litro em dezembro. Fechou a R$ 0,6486/litro em média, um recuo de R$ 0,1 por litro em relação ao mês anterior. A valorização dos derivados do leite no mercado internacional e o crescimento da renda do consumidor doméstico explicam em parte os bons resultados alcançados no Brasil com a comercialização do produto.
A pesquisa foi realizada em sete estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia e constatou que a produção acumulada de janeiro a novembro deste ano é 8,9% superior à do mesmo período de 2006 e 10,6% maior que a de 2005. "Como a maior parte da produção de leite no Brasil é baseada pastagens, a seca prolongada afeta significativamente a oferta, o que favoreceu essa forte alta nos preços", explica Gustavo Beduschi, pesquisador responsável na área de leite da Cepea.
A queda dos preços nos últimos dois meses já era esperada pelos produtores devido ao aumento no volume do produto oferecido, 4% maior na média nacional de outubro para novembro em relação ao ano anterior. Segundo o ICAP-L/Cepea (Índice de Captação de Leite), entre outubro e novembro, os estados que mais aumentaram a oferta de leite foram São Paulo, 11,8%, Goiás, com 8,6%, e Minas Gerais registrando 5,6%.
Para Beduschi, isso se deve aos investimentos que os produtores fizeram no meio do ano amparados pelos preços mais altos. "Os produtores conseguiram comprar mais insumos e a partir do mês de junho levar os animais para o curral, onde, embora haja um aumento nos custos, consegue-se uma melhor produtividade", explica. O único estado que sofreu redução no volume do leite captado pelas empresas foi o Rio Grande do Sul, com queda de 3%, o que já era esperado pelos pesquisadores.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Roberto Tenório)