Biodiesel ganha impulso no País

02/01/2008

Biodiesel ganha impulso no País

 

A mistura de biodiesel ao diesel passou a ser obrigatória, ontem, em todos os postos de combustíveis do País, com percentual inicial mínimo de 2%. Até então, os volumes vendidos eram só autorizados pelo governo federal. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) está pronta para fiscalizar esse mercado e os estabelecimentos que descumprirem a norma de adicionar o chamado B2 serão impedidos de vender diesel. Apesar de o biodiesel ser mais caro que o diesel, o ministro interino das Minas e Energia, Nelson Hubner, disse, em Brasília, não acreditar em alta do preço do diesel na bomba. “Os valores praticados variam em percentual maior e o próprio mercado regulará”, afirmou.

Ele também descartou o risco de faltar o combustível renovável, ressaltando que as usinas instaladas no País têm capacidade para produzir 2,5 bilhões anuais de litros de biodiesel enquanto a demanda nacional está em 840 milhões de litros por ano.

Com isso, a capacidade instalada de produção já é três vezes superior ao necessário para atender à exigência legal.

Os volumes misturados na fase atual só não serão maiores em razão da eventual necessidade de ajustes técnicos do mercado, que é livre. Mas tudo indica que a previsão de elevar a obrigatoriedade para 5% em 2013 será antecipada para 2010 e o percentual de 3%, poderá ser fixado até o fim do ano que vem.

Outro fator de alívio dos preços está, segundo o ministro, no apelo ambiental a ser explorado pelo marketing dos varejistas. Na economia, o primeiro impacto do biodiesel será a redução do diesel importado, que chega a 7% do total consumido no País, na mesma proporção do volume misturado. Ao reduzir em 2008 as importações de diesel para 5% do total, R$ 900 milhões serão economizados pela balança comercial.

As distribuidoras já contrataram 99% do biodiesel previstos para os próximos seis meses, além de fazerem reserva adicional de 100 milhões de litros.

BAHIA – A Bahia é o terceiro maior produtor de biodiesel do País, superado pelo Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A principal diferença dos fornecedores baianos, ressaltou o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, está na variedade de matérias-primas.

Enquanto cerca de 60% da produção nacional está concentrada em soja, acompanhada de mamona e girassol, as usinas do Estado refinam outros tipos de fontes, como o dendê e a palma, com potencial energético até oito vezes maior que a soja, mais ainda com custo de produção muito maior.

O País conta com cinco usinas de biodiesel, sendo duas na Bahia.

A Petrobras está construindo mais uma no Estado e outra será inaugurada no Ceará. Para Arnoldo de Campos, coordenador do programa de biodiesel no Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Nordeste tem a vantagem dos custos de terra, mão-de-obra e, sobretudo, o uso de matériasprimas ainda não cotadas no mercado internacional, caso da soja.