Minerva se alia ao inimigo e vai às compras

07/01/2008

Minerva se alia ao inimigo e vai às compras


 


No momento em que a carne bovina brasileira enfrenta restrições da União Européia - em grande parte por pressão de pecuaristas irlandeses -, o frigorífico Minerva prepara-se para inaugurar uma unidade construída numa joint venture exatamente com uma empresa do setor de carnes da Irlanda, a Dawn Farms Food. 


A parceria, na qual cada empresa tem 50% do capital, pode parecer esdrúxula diante do "bombardeio" irlandês ao produto brasileiro, mas é estratégica para o Minerva, frigorífico que abriu o capital na bolsa em agosto do ano passado e que vem investindo para agregar valor e crescer. Com a associação, que criou a Minerva Dawn, a companhia brasileira irá utilizar a tecnologia da sócia irlandesa, uma das maiores em processamento de carne da Europa, para produzir itens de maior valor agregado. 


A fábrica está sendo levantada no complexo industrial do Minerva em Barretos (SP) e vai produzir carne cozida congelada, um item que o frigorífico brasileiro ainda não tem em seu portfólio. Outros grandes frigoríficos - Friboi, Marfrig e Bertin - já produzem carne cozida congelada e exportam. 


De acordo com Edivar de Queiroz Vilela, presidente do conselho de administração do Minerva, a parceria é importante porque a Dawn Farms tem a tecnologia para a produção de carne cozida congelada. Além disso, fornece para o setor de food service em países da Europa e também da Ásia. 


A unidade em Barretos, onde o Minerva se comprometeu a investir R$ 3 milhões, deve ser inaugurada em abril deste ano, segundo Vilela. Conforme o relatório sobre os resultados do terceiro trimestre de 2007, a unidade terá capacidade de produzir 38,4 toneladas de carne cozida congelada no primeiro semestre deste ano. Funcionários do Minerva já estão recebendo treinamento na Irlanda para a produção do novo item, que a empresa quer destinar aos mercados externo e doméstico. 


A maior vantagem da parceria com os irlandeses para o Minerva é poder expandir sua área de atuação e vender para clientes aos quais ainda não tem acesso, afirma um especialista do setor. Para ele, a intenção da empresa brasileira é produzir outros itens, além de carne cozida congelada, na parceria com a Dawn. Já para os irlandeses, a joint venture com o Minerva é uma maneira de entrar no Brasil e tentar se envolver no mercado de carne brasileiro. 


A Dawn Farms processa carne para fornecer ao food service e a indústrias de alimentos da Europa. É uma das empresas do grupo irlandês Queally, que exporta produtos para mais de 45 países. 


Dentro de sua estratégia de crescimento, o Minerva também negocia uma aquisição de frigorífico no Brasil, segundo Vilela. A empresa investe ainda em novas unidades para ampliar o abate de gado bovino. No último dia 26, o conselho de administração da empresa aprovou o empréstimo de R$ 53,7 milhões junto ao Fundo de Desenvolvimento da Amazônia para a fábrica que está sendo construída em Rolim de Moura (RO). A unidade poderá abater 1.000 animais por dia e terá investimento total de cerca de R$ 90 milhões. 


Em seu balanço até o terceiro trimestre de 2007, o Minerva informou que fechou 2007 com capacidade de abate de 5 mil animais por dia em cinco unidades. Com as novas fábricas, de Rolim de Moura e Redenção (PA), deve alcançar 7.850 cabeças por dia.