Demanda por açúcar continua baixa

07/01/2008

Demanda por açúcar continua baixa

 

 

Dezembro foi o terceiro mês consecutivo de queda nas exportações de açúcar e, ao que indicam os prêmios nos portos, essa demanda internacional pelo produto brasileiro continuará baixa em janeiro. Na primeira semana de 2008, os descontos para o produto brasileiro no porto de Santos, por exemplo, ficaram em 30 centavos de dólar por libra-peso em relação à cotação da Bolsa de Nova York (Nybot). Em igual período de 2007 esse valor estava positivo - ou seja, se pagava um ágio - em 50 centavos de dólar por libra-peso.
"Normalmente, na entressafra, esses prêmios no porto ficam mais fortalecidos", diz Mário Silveira, analista de gerenciamento de risco da FCStone. No entanto, os prêmios estão negativos por causa da oferta mundial, impulsionada pela produção da Índia, e pelos fretes marítimos brasileiros mais altos em relação à concorrente.
No último mês de 2007 foram embarcadas 1,37 milhão de toneladas do produto, 40% menos que as 2,27 milhões de toneladas de igual mês de 2006 e 18% inferior ao embarcado em novembro de 2007 (1,66 milhão de toneladas). No ano todo, as exportações de açúcar somaram 14 milhões de toneladas, 5% inferiores a de 2006 (14,7 milhões de toneladas).
Silveira explica que os fundamentos econômicos do açúcar são baixistas, pois o estoque final da safra 2007/08 será de 18 milhões de toneladas, fruto de um excedente da Índia de 11,5 milhões de toneladas. No entanto, com a entrada de fundos especulativos nas commodities - que migraram do mercado financeiro, receosos do agravamento da crise na economia americana - o açúcar apresentou recuperação. Somente na primeira semana de 2008, a valorização do contrato de maio na Nybot foi de 3%, saindo de 11,25 centavos de dólar a libra-peso para 11,60 centavos de dólar a libra-peso.
Aposição dos fundos especulativos em contratos de açúcar foi recorde na semana passada, segundo Silveira. "Foram cerca de 500 mil contratos comprados por esses fundos, quando a média fica em torno de 200 mil papéis", compara o analista. Ele acrescenta que outras 500 mil posições foram compradas por hedgers.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Fabiana Batista)