Commodities Agrícolas
Leve alta
Os preços futuros do cacau negociados no mercado americano fecharam o pregão de ontem com leve alta. Na bolsa de Nova York, os papéis para março fecharam com elevação de US$ 25, para US$ 2.156 por tonelada. Os para entrega em maio, que têm mais liquidez, tiveram um aumento de US$ 31 e encerraram o dia a US$ 2.167 por tonelada. Em entrevista à agência Dow Jones, o analista James Cordier, da Optionsellers.com, de Tampa, explicou: "Há uma enorme quantidade de dinheiro entrando em commodities". Segundo ele, o cacau registrou poucas vendas de produtores recentemente, "o que significa que neste mercado o céu é o limite". Em Ilhéus e Itabuna, a cotação média da arroba do cacau ficou em R$ 62,00, sem variação, informou a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Novos ganhos
A consultoria Céleres estima que até o fim de janeiro 5,5% das lavouras de milho do país terão sido colhidas, cerca de 2 milhões de toneladas, se o ciclo normal de desenvolvimento das plantações permanecer. O recorde nas exportações de milho e o aumento do consumo mantêm elevados os preços domésticos, diz a Céleres. Ontem, o indicador Cepea/Esalq para o milho ficou em R$ 32,77 a saca. Na bolsa de Chicago, o contrato com vencimento em março subiu 12,5 centavos de dólar para 4,7875 por bushel depois de bater U$ 4,80, o maior valor em 12 anos. O milho subiu junto com outras commodities sustentado por compras especulativas. As fortes exportações dos EUA e a previsão de clima seco na Argentina também sustentaram o milho, segundo a Dow Jones Newswires.
Temor com inflação
A perspectiva de avanço da inflação puxou a alta do trigo ontem no mercado internacional. Nesse cenário, aumenta o movimento dos investidores ampliando posições em commodities agrícolas para fazer hedge. Na bolsa de Chicago, os contratos de trigo com vencimento em maio encerraram com alta de 4,75 centavos de dólar, a US$ 9,2050 por bushel. Os papéis acompanharam a alta de outras commodities porque o trigo compete por área com lavouras como soja e milho em março e abril, quando muitos fazendeiros dos EUA começam a plantar a primeira safra de trigo do ano. No mercado do Paraná, a saca de 60 quilos teve preço médio de R$ 32,67, estável em relação à segunda-feira, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral).
Aperto na oferta
A alta dos preços das commodities agrícolas deve perdurar pelo menos nos próximos três anos, impulsionada pelo crescimento da demanda de forma mais acelerada que os estoques, segundo o Goldman Sachs. "Temos uma demanda robusta que deve permanecer mesmo em um cenário de aperto da economia", disse à Bloomberg Jeffrey Currie, chefe de pesquisa de commodities do banco. "No lado da demanda, a soja é a mais sensível para os mercados emergentes". Ontem, em Chicago, os contratos de soja com vencimento em março encerraram com alta de 17,25 centavos de dólar, a US$ 12,67 por bushel. No mercado interno, a saca de 60 quilos registrou preço de R$ 45,65, uma alta de 0,15%, de acordo com o índice Cepea/Esalq. No mês, o avanço acumulado é de 1,94%.